Acabo de fechar a última página de um dos livros mais famosos do mundo: "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas", de Dale Carnegie. Hoje trago-vos uma opinião muito honesta, pesando aquilo que retirei de bom e os aspetos que me deixaram de pé atrás.
Para abrir o apetite, deixo-vos primeiro com o "esqueleto" das ideias que o autor defende ao longo da obra:
🔍Os Princípios do Livro (Em Resumo)
Técnicas fundamentais para lidar com pessoas: Não critique, não condene, não se queixe; Mostre um apreço honesto e sincero; Desperte na outra pessoa uma necessidade premente.
Seis maneiras de fazer com que gostem de si: Interesse-se genuinamente; Sorria; Lembre-se de que o nome de uma pessoa é o som mais doce para ela; Seja um bom ouvinte; Fale em função dos interesses do outro; Faça o outro sentir-se importante.
Conquistar pessoas para a sua forma de pensar: Evite discussões; Respeite as opiniões (nunca diga "está errado"); Admita os seus erros rapidamente; Comece de forma amigável; Consiga o "sim" imediato; Deixe o outro falar; Faça o outro sentir que a ideia é dele; Veja o ponto de vista alheio; Apele aos motivos nobres e dramatize as ideias.
Seja um líder (Mudar os outros sem ofender): Comece com elogios; Chame a atenção para os erros indiretamente; Fale dos seus erros antes de criticar; Faça perguntas em vez de ordens; Deixe o outro salvar a face; Elogie o mais ínfimo progresso; Crie uma reputação que o outro queira respeitar; Faça os erros parecerem fáceis de corrigir.
👍 O que Gostei (Os Pontos Positivos)
O livro tem uma escrita muito fácil de entender e compreender. Chega a um ponto em que parece que estamos sentados com o autor numa esplanada a ter uma conversa informal. Está muito bem estruturado por capítulos e ideias principais, o que faz com que a leitura flua e seja apetecível no início.
O grande mérito da obra é fazer-nos pensar nas nossas atitudes diárias, seja na vida pessoal ou profissional. Quem ler este livro vai, certamente, identificar pontos que pode melhorar para evoluir as suas relações.
Destaco quatro grandes lições que levo para a vida:
"Não critique, não condene, não se queixe": É uma excelente premissa. Hoje em dia criticamos muito os outros sem olharmos ao espelho e passamos demasiado tempo a lamentar-nos em vez de valorizar o que temos.
"Sorria": Faz-nos muita falta utilizar mais esta regra. O mundo seria muito melhor se todos sorríssemos genuinamente mais.
"Ser um bom ouvinte": Esta vou aplicar desde já. O ditado popular já diz tudo: "ouvidos mais abertos e boca mais fechada", ou "em boca fechada não entra mosca".
A maior aprendizagem do livro (Início da Parte 3): "A única maneira de vencer numa discussão, é evitá-la". Aconselho todos a lerem este capítulo mais do que uma vez. É uma lição de ouro para o lado pessoal e profissional.
👎 O que Não Gostei (Os Contra-sensos e a Desatualização)
Apesar dos bons conselhos, a verdade é que, na minha opinião, este livro foi escrito numa época em que o acesso à informação era muito mais reduzido. Nos dias de hoje, encontra-se bastante desajustado à realidade. Devo confessar que, mais ou menos a meio do livro, pensei em desistir. Só não o fiz por teimosia, para poder fazer uma apreciação justa do meu ponto de vista.
Para mim, o livro falha em alguns aspetos cruciais:
O "Preto no Branco" do autor: Carnegie reduz frequentemente as coisas ao extremo: ou fazemos tal e qual como está no livro e somos bem-sucedidos, ou não fazemos e somos uns fracassados. Chega a escrever: “Então é porque as nossas almas não são maiores que uma amêndoa amarga, e não tardaremos a descobrir o fracasso que tanto merecemos”. Obviamente não é assim; existem muitas outras maneiras de alcançar o sucesso e fazer amigos.
Falta de genuinidade: No segundo capítulo da Parte 3, o autor ensina-nos uma estratégia que evita discussões, mas obriga-nos a não ser corretos nem genuínos: "Nunca diga que alguém está errado, mesmo que tenha a certeza que essa pessoa está errada".
Estratégias manipuladoras e o Burnout: O último princípio da terceira parte ("Lance o desafio") mostra o quanto o livro envelheceu mal. Esta é das técnicas mais manipuladoras que podem existir numa empresa. Muitos chefes e patrões usam a técnica da comparação entre colaboradores para os fazer produzir mais. Na altura em que o livro foi escrito não se falava em burnout, esse flagelo da sociedade moderna. Usar isto hoje é altamente reprovável.
Falta de fôlego e repetição: A partir de metade da Parte 3, o livro perde os argumentos e foca-se apenas em que devemos ser compreensíveis. A cada capítulo torna-se mais e mais repetitivo. A três capítulos do fim, estava completamente sem vontade de continuar.
💬 O meu sincero veredicto Final
Para se atingirem os objetivos deste livro, é necessário querer muito mudar, porque, ao fim ao cabo, o que ele propõe é que moldemos a nossa maneira de ser e a nossa própria personalidade, e isso é extremamente complicado. Nos dias de hoje, muito dificilmente conseguimos seguir estas técnicas à risca.
Este livro muito provavelmente permanecerá no topo dos livros que menos gostei durante muito tempo. No entanto, não dou o tempo totalmente como perdido, porque ajudou-me a refletir sobre atitudes minhas que não ajudam nas relações.
Agora que terminei, no fundo, ainda bem que o li. Mas se soubesse o que sei hoje... não o compraria nem o começaria a ler.
E por aí, alguém já leu este clássico? Qual é a vossa opinião?
Vemo-nos em outras leituras...
Nota: 2.5 / 5 ⭐️

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