Antes de mais nada, cabe-me dizer que esta foi uma estreia absoluta para mim no que toca a ler James Patterson
A Evolução da Leitura (Capítulo a Capítulo)
Capítulos 1 a 7: O ritmo ainda não está alucinante, mas percebe-se logo que virá a ser, muito pelas repentinas guinadas que o autor dá a cada mudança de capítulo
. A reflexão das redes e da informação: Surgiu-me logo uma grande reflexão sobre como somos influenciados pela nova moda do ciclo de notícias de 24 horas. A "espuma dos dias" sobrepõe-se aos assuntos verdadeiramente importantes para a população. "Estamos a utilizar as novas tecnologias para regredir até aos primórdios das relações humanas" uma dura e atualíssima crítica a como as redes sociais toldam o nosso raciocínio nos dias de hoje.
O detalhe realista: Só um livro com a participação de um ex-presidente dos EUA (neste caso, Bill Clinton) nos pode dar de forma tão detalhada a vida do líder de uma superpotência
. Num momento está a falar com assessores; dez minutos depois, a telefonar à mãe de um soldado que acaba de falecer em missão; e logo a seguir é chamado de urgência à Sala de Situação. Já li alguns livros relacionados com presidentes americanos, mas com este nível de detalhe... nunca ! Conhecemos a fundo o que sente este homem que, além de Presidente, é também um ser humano com sentimentos, frustrações e vulnerabilidades . Capítulo 11 (O ponto de viragem): Além de ser incrível por demonstrar o peso e a responsabilidade gigante nas mãos de um Presidente ao decidir se um míssil faz ou não explodir determinado alvo e quem morre com essa decisão, foi exatamente aqui que me comecei a sentir verdadeiramente preso ao livro
. Capítulo 34: A construção da narrativa faz-se em forma de relato na primeira pessoa por parte do Presidente Jonathan Duncan, com vários diálogos pelo meio
. É uma fase de muita ação, com capítulos super curtos que não nos deixam parar de ler . Capítulo 53: A única pergunta que me surge é: (sem spoilers) estaremos nós mesmo sujeitos a que algo assim aconteça? O livro dá especial importância ao bom entendimento que deve existir entre os membros da NATO. Curiosamente (ou eroticamente... leia-se ironicamente), foi publicado em 2018, precisamente durante o primeiro mandato de Donald Trump
. Ironia ou puro sarcasmo de Patterson e Clinton ? Capítulo 75: Faz-nos pensar em quão vulneráveis e dependentes somos hoje em dia de uma "coisinha" chamada internet. Demonstra que se pode causar uma catástrofe muito maior sem o trabalho de atirar dois aviões contra as Torres Gémeas em Nova Iorque. Mas também nos faz perguntar: estamos hoje a fazer algo para evitar uma tragédia destas, ou, tal como no 11 de Setembro, terá primeiro de acontecer para agirmos?
Capítulo 90: A incerteza continua a cada página virada! Irá Jonathan Duncan conseguir forças para salvar os EUA? Existirá um traidor dentro do seu núcleo duro
? Mesmo que vos quisesse dar um spoiler (coisa que não quero!), não o poderia fazer: no capítulo 90 a emoção está ao rubro e tudo pode acontecer !
As Minhas Conclusões Finais
Finalizada a leitura, estou perante uma grandíssima história. Já tinha lido e escutado que James Patterson tem uma escrita que nos cola verdadeiramente ao livro, e confirma-se a 100%
Este livro obriga-nos a fazer um sem-número de reflexões:
A nossa dependência tecnológica: O quão perigosa é a dependência da internet, embora devamos a ela o avanço da sociedade em que vivemos.
A geopolítica atual: A forma como o mundo se divide (e sempre dividirá) entre o "lado bom" e o "lado mau" na perspetiva de cada um. E a importância crucial de alianças fortes e saudáveis na NATO algo que, nos dias em que escrevo esta resenha, nos deixa tantas dúvidas e receios, quer pela atual administração americana quer pelo rumo político na Europa. Como seria bom ter hoje líderes, tanto nos EUA como na Europa, capazes de fazer o discurso que Duncan faz no final deste livro! Mas a verdade é que o livro também nos alerta para a forma como a política está cada vez mais podre.
Notas rápidas sobre algumas personagens (sem levantar o véu):
Bach: Uma maravilhosa e bela assassina que, depois de entendermos a sua história e o seu propósito de vida, acabo eu próprio a torcer para que tudo lhe corra bem!
Nina e Augie: A prova viva de que nunca é tarde para tentar fazer o bem, por muito mal que já se tenha feito no passado.
Para o meu gosto pessoal, sinto apenas falta das viagens pelo mundo que tanto me fascinam nos livros de espionagem
⭐ Nota final: 4,1 / 5






