sexta-feira, 17 de julho de 2026

Crítica: "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas" de Dale Carnegie – Um Clássico ou um Livro Desatualizado?

 



Acabo de fechar a última página de um dos livros mais famosos do mundo: "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas", de Dale Carnegie. Hoje trago-vos uma opinião muito honesta, pesando aquilo que retirei de bom e os aspetos que me deixaram de pé atrás.

Para abrir o apetite, deixo-vos primeiro com o "esqueleto" das ideias que o autor defende ao longo da obra:

🔍Os Princípios do Livro (Em Resumo)

  • Técnicas fundamentais para lidar com pessoas: Não critique, não condene, não se queixe; Mostre um apreço honesto e sincero; Desperte na outra pessoa uma necessidade premente.

  • Seis maneiras de fazer com que gostem de si: Interesse-se genuinamente; Sorria; Lembre-se de que o nome de uma pessoa é o som mais doce para ela; Seja um bom ouvinte; Fale em função dos interesses do outro; Faça o outro sentir-se importante.

  • Conquistar pessoas para a sua forma de pensar: Evite discussões; Respeite as opiniões (nunca diga "está errado"); Admita os seus erros rapidamente; Comece de forma amigável; Consiga o "sim" imediato; Deixe o outro falar; Faça o outro sentir que a ideia é dele; Veja o ponto de vista alheio; Apele aos motivos nobres e dramatize as ideias.

  • Seja um líder (Mudar os outros sem ofender): Comece com elogios; Chame a atenção para os erros indiretamente; Fale dos seus erros antes de criticar; Faça perguntas em vez de ordens; Deixe o outro salvar a face; Elogie o mais ínfimo progresso; Crie uma reputação que o outro queira respeitar; Faça os erros parecerem fáceis de corrigir.

👍 O que Gostei (Os Pontos Positivos)

O livro tem uma escrita muito fácil de entender e compreender. Chega a um ponto em que parece que estamos sentados com o autor numa esplanada a ter uma conversa informal. Está muito bem estruturado por capítulos e ideias principais, o que faz com que a leitura flua e seja apetecível no início.

O grande mérito da obra é fazer-nos pensar nas nossas atitudes diárias, seja na vida pessoal ou profissional. Quem ler este livro vai, certamente, identificar pontos que pode melhorar para evoluir as suas relações.

Destaco quatro grandes lições que levo para a vida:

  1. "Não critique, não condene, não se queixe": É uma excelente premissa. Hoje em dia criticamos muito os outros sem olharmos ao espelho e passamos demasiado tempo a lamentar-nos em vez de valorizar o que temos.

  2. "Sorria": Faz-nos muita falta utilizar mais esta regra. O mundo seria muito melhor se todos sorríssemos genuinamente mais.

  3. "Ser um bom ouvinte": Esta vou aplicar desde já. O ditado popular já diz tudo: "ouvidos mais abertos e boca mais fechada", ou "em boca fechada não entra mosca".

  4. A maior aprendizagem do livro (Início da Parte 3): "A única maneira de vencer numa discussão, é evitá-la". Aconselho todos a lerem este capítulo mais do que uma vez. É uma lição de ouro para o lado pessoal e profissional.

👎 O que Não Gostei (Os Contra-sensos e a Desatualização)

Apesar dos bons conselhos, a verdade é que, na minha opinião, este livro foi escrito numa época em que o acesso à informação era muito mais reduzido. Nos dias de hoje, encontra-se bastante desajustado à realidade. Devo confessar que, mais ou menos a meio do livro, pensei em desistir. Só não o fiz por teimosia, para poder fazer uma apreciação justa do meu ponto de vista.

Para mim, o livro falha em alguns aspetos cruciais:

  • O "Preto no Branco" do autor: Carnegie reduz frequentemente as coisas ao extremo: ou fazemos tal e qual como está no livro e somos bem-sucedidos, ou não fazemos e somos uns fracassados. Chega a escrever: “Então é porque as nossas almas não são maiores que uma amêndoa amarga, e não tardaremos a descobrir o fracasso que tanto merecemos”. Obviamente não é assim; existem muitas outras maneiras de alcançar o sucesso e fazer amigos.

  • Falta de genuinidade: No segundo capítulo da Parte 3, o autor ensina-nos uma estratégia que evita discussões, mas obriga-nos a não ser corretos nem genuínos: "Nunca diga que alguém está errado, mesmo que tenha a certeza que essa pessoa está errada".

  • Estratégias manipuladoras e o Burnout: O último princípio da terceira parte ("Lance o desafio") mostra o quanto o livro envelheceu mal. Esta é das técnicas mais manipuladoras que podem existir numa empresa. Muitos chefes e patrões usam a técnica da comparação entre colaboradores para os fazer produzir mais. Na altura em que o livro foi escrito não se falava em burnout, esse flagelo da sociedade moderna. Usar isto hoje é altamente reprovável.

  • Falta de fôlego e repetição: A partir de metade da Parte 3, o livro perde os argumentos e foca-se apenas em que devemos ser compreensíveis. A cada capítulo torna-se mais e mais repetitivo. A três capítulos do fim, estava completamente sem vontade de continuar.

💬 O meu sincero veredicto Final

Para se atingirem os objetivos deste livro, é necessário querer muito mudar, porque, ao fim ao cabo, o que ele propõe é que moldemos a nossa maneira de ser e a nossa própria personalidade, e isso é extremamente complicado. Nos dias de hoje, muito dificilmente conseguimos seguir estas técnicas à risca.

Este livro muito provavelmente permanecerá no topo dos livros que menos gostei durante muito tempo. No entanto, não dou o tempo totalmente como perdido, porque ajudou-me a refletir sobre atitudes minhas que não ajudam nas relações.

Agora que terminei, no fundo, ainda bem que o li. Mas se soubesse o que sei hoje... não o compraria nem o começaria a ler.

E por aí, alguém já leu este clássico? Qual é a vossa opinião?

Vemo-nos em outras leituras...

Nota: 2.5 / 5 ⭐️

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Próxima Leitura: Uma Viagem ao Passado de Daniel Silva!

 

Depois de fechar a última página de Uma Rapariga Inglesa, decidi fazer um desvio nostálgico na minha estante. Já comecei a ler "A Marca do Assassino", o segundo livro publicado por Daniel Silva na sua carreira!

Para quem está habituado a seguir os passos de Gabriel Allon, esta leitura traz uma grande surpresa, o protagonista aqui é Michael Osbourne, um agente da CIA, num enredo que espero que seja de cortar a respiração que envolve conspirações na Casa Blanca e um assassino implacável que deixa sempre a mesma assinatura macabra.

Estou muito curioso para ver como o autor construía os seus thrillers antes de criar a sua saga mais famosa.

Em breve partilharei aqui a minha crítica completa! Alguém por aí já leu este clássico do autor?

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas - Dale Carnegie

 


📖 Próxima Paragem: Um Clássico do Desenvolvimento Pessoal!

De momento, estou a ler o superclássico "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas", de Dale Carnegie.

Será que as lições escritas há décadas ainda funcionam no nosso mundo ultra-digital?

Fiquem atentos! Em breve voltarei aqui com a minha crítica completa e com os pontos que mais me marcaram nesta leitura.

Até lá, boas leituras! ✨

quarta-feira, 20 de maio de 2026

A Rapariga Inglesa - Daniel Silva

 


Crítica: "Uma Rapariga Inglesa" – Mais um Golpe de Mestre de Daniel Silva

Mais um grande livro de Daniel Silva e mais uma paragem obrigatória na série protagonizada por Gabriel Allon. Apesar de saber que Allon é um personagem de ficção, confesso que já me tornei um fã incondicional das suas missões.

Mas vamos ao que realmente achei deste livro em concreto.

Espionagem de Alta Prata e Ritmo Alucinante

Como os leitores do blog já sabem, para se gostar deste protagonista é obrigatório ser fã de espionagem, política internacional, ação e suspense. E, neste livro em particular, Daniel Silva enche-nos as medidas.

Tudo começa com o rapto ultra-secreto de uma jovem promessa da política britânica (que esconde um segredo bombástico). A partir daí, a história ganha uma velocidade estonteante. Entramos nas entranhas do antigo KGB, mergulhamos nos bastidores dos conflitos políticos ingleses e viajamos de Telavive a São Petersburgo sem darmos por isso. É um thriller incrível que vale mesmo a pena ler, no meu caso, foi daqueles que devorei num piscar de olhos.

O Ponto Menos Positivo (com uma exceção)

Como na minha opinião não há livros perfeitos, também tenho um reparo a fazer. Toda a parte do enredo passada na Córsega com o Don Orsati foi, para mim, o ponto mais fraco. Achei que quebrou um bocado o ritmo da narrativa global. A única grande vantagem desse arco foi podermos rever e acompanhar a dinâmica com o carismático Christopher Keller, mas não me vou alongar mais para não dar spoilers a quem ainda não leu!

Meu veredicto 

Se gostam de conspirações geopolíticas reais e de intrigas ao mais alto nível, Uma Rapariga Inglesa é uma leitura obrigatória. Prepara-te para não conseguir largar o livro!

Nota: 4.5/5 

sábado, 30 de agosto de 2025

A Bicicleta que Fugiu dos Alemães de Domingos Amaral



SINOPSE:

Nos primeiros dias de junho de 1940, a população de Paris entra em pânico, pois os exércitos de Hitler aproximam-se. De carro, de camioneta, de carroça ou a pé, mais de cinco milhões de pessoas fogem da capital francesa.

Entre a multidão apavorada encontra-se Carol, uma portuguesa estudante na Sorbonne, que deixa Paris contrariada e ao volante da sua bicicleta Hirondelle.

Sempre em fuga e receosos da Gestapo, alguns deles conseguirão vistos de entrada em Portugal, passados por Aristides Sousa Mendes e chegarão a Vilar Formoso, onde a fronteira fechou por ordem de Salazar.

Uma história de amizade, sexo, solidariedade e amor, de uma rapariga portuguesa cujos sonhos eram apenas estudar literatura, namorar e pedalar feliz pelos boulevards de Paris.


FONTE: Bertrand

O meu resumo:

A Bicicleta que Fugiu aos Alemães, de Domingos Amaral, é uma obra que nos transporta para o conturbado cenário da Europa no início da Segunda Guerra Mundial. A narrativa acompanha a fuga desesperada de milhares de refugiados que, perante o avanço das tropas nazis em França, tentam chegar a Portugal na esperança de encontrar segurança ou um barco para as Américas.

No centro da história está Carol uma jovem Portuguesa a estudar em Paris e de Rover um piloto Inglês por quem se apaixona. Os dois protagonizam momentos épicos e perigosos, tentando escapar à crueldade da ocupação alemã. 

O livro destaca não só o esforço físico e a coragem individual, mas também o papel crucial de figuras históricas como Aristides de Sousa Mendes, o cônsul português em Bordéus que desafiou as ordens de Salazar para salvar vidas.

A Minha Opinião:

Para quem procura uma leitura que combine rigor histórico com entretenimento, este livro é uma escolha excelente. Aqui estão os pontos que mais me cativaram:

  • Escrita Envolvente: O estilo de Domingos Amaral é simples e direto, o que torna a leitura fluida. É um daqueles livros que nos prende desde a primeira página e nos faz querer avançar rapidamente pelos capítulos.

  • Contextualização Histórica: O autor detalha com mestria o ambiente do início da Segunda Guerra Mundial. É fascinante (e tenso) ver como esse período coincidiu com as ditaduras de Salazar em Portugal e de Franco em Espanha, criando um tabuleiro político complexo e perigoso para os protagonistas.

  • Equilíbrio de Géneros: Não é apenas um relato histórico. O livro equilibra perfeitamente três pilares:

    1. História: Factos reais e figuras marcantes.

    2. Ação: O ritmo da fuga e o perigo constante das patrulhas.

    3. Romance: O lado humano e emocional que dá alma à narrativa.

Veredito: É uma leitura obrigatória para os apaixonados pelo tema da Segunda Guerra Mundial. Consegue educar sobre o passado de Portugal e da Europa enquanto nos mantém emocionalmente investidos na jornada das personagens.

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

O Anjo Caído - Um livro de Daniel Silva

 




A minha opinião e um pequeno resumo:

Ler O Anjo Caído é entrar mais uma vez no mundo de Gabriel Allon, restaurador de arte e, ao mesmo tempo, agente secreto israelita. O livro começa no Vaticano, num cenário quase inocente, Allon é chamado para analisar a morte de uma funcionária da Santa Sé. Mas rapidamente percebemos que nada é por acaso. O que parecia um suicídio esconde uma teia de corrupção, tráfico de antiguidades e terrorismo com ligações profundas ao Médio Oriente.

O enredo vai-se desenrolando com a marca típica de Daniel Silva, ritmo rápido, suspense constante e um equilíbrio entre o universo da arte e a brutalidade da espionagem internacional.

 Como leitor, senti-me sempre a ser puxado para diferentes cenários, de Roma a Jerusalém, passando por investigações sombrias que envolvem a própria Igreja.

Aquilo que mais me marca na forma de escrever de Daniel Silva, é a forma como consegue entrelaçar factos históricos e políticos com uma narrativa de ficção tão convincente que por vezes esquecemos onde acaba a realidade e começa a imaginação. 

Ao mesmo tempo, Allon continua a ser um protagonista fascinante, inteligente, humano, dividido entre a vida tranquila que deseja ao lado de Chiara sua mulher, e o dever que o arrasta sempre de volta ao campo de batalha.

No fim, O Anjo Caído é mais do que um thriller de espionagem. É um livro sobre poder, fé, corrupção e as cicatrizes que a história deixa nos povos e nas instituições. Para quem gosta de thrillers cheios de tensão, mas com uma forte base cultural e histórica, este é sem dúvida um daqueles livros que se devoram de uma assentada.

Para mim continua a valer a pena cada minuto a ler os livros de Daniel Silva, particularmente a saga de Gabriel Allon.

domingo, 6 de abril de 2025

Nunca [Ken Follet]

 


Sinopse de NUNCA


Ken Follett retorna ao suspense com um romance vertiginoso que imagina o inimaginável.

No Deserto do Saara, dois agentes de inteligência rastreiam um poderoso grupo terrorista, arriscando suas vidas — e, quando se apaixonam perdidamente, suas carreiras — a todo momento.

Na China, um alto funcionário do governo com grandes ambições está lutando contra os linha-dura do Partido que ameaçam levar o país a um ponto sem volta.

E nos Estados Unidos, a presidente enfrenta uma crise global e o cerco de seus implacáveis ​​oponentes políticos. Ela está disposta a fazer qualquer coisa para evitar uma guerra desnecessária.

Mas quando um ato de agressão leva a outro, e as potências mais poderosas do mundo se veem presas em uma complexa rede de alianças da qual não conseguem escapar, uma corrida frenética contra o tempo começa. Alguém pode, mesmo com as melhores intenções e as habilidades mais excepcionais, impedir o inevitável?

Nunca é um thriller extraordinário, cheio de heroínas e vilões, falsos profetas, agentes de elite, políticos desencantados e revolucionários cínicos. Follett envia um conto de advertência para os nossos tempos em uma história intensa e emocionante que leva os leitores em uma jornada.


Fonte: Casa do Livro

sábado, 26 de dezembro de 2020

Retrato de uma espia [ Daniel Silva ]


SINOPSE

Gabriel Allon, restaurador de arte e espião, está em Londres com Chiara, a mulher, para um fim de semana que se esperava agradável. Mas duas bombas, em Paris e Copenhaga, conseguiram já estragar este encantador dia de outono. Depois, quando Gabriel se prepara para deter um homem que ele suspeita estar prestes a fazer um terceiro atentado em Covent Garden, é atirado ao chão e fica a observar um verdadeiro pesadelo, sem poder fazer nada. Ainda tem bem fresca a perturbadora memória do seu fracasso em impedir um massacre de inocentes quando é chamado a Washington para um confronto com o novo rosto do terrorismo global. Ao centro de uma explosiva praga de morte e destruição está um esquivo clérigo de origem americana a viver no Iémen. E o pior ainda está para vir...




 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Anne Frank - A Biografia Vol.1/2/3 [ Melissa Müller ]

 


A Conclusão de uma Obra Fundamental

Após leitura dos 3 volumes desta magnifica obra de Melissa Müller, partilho convosco as minha analise desta biografia detalhada de Anne Frank. Se o início já me tinha impressionado pela qualidade da investigação, o percurso completo desta leitura foi uma experiência ainda mais avassaladora.

O grande trunfo de ler esta biografia até ao fim é perceber que a história de Anne Frank vai muito além das páginas do seu famoso diário. A autora faz um trabalho cirúrgico ao guiar-nos não só pelos anos em que a família esteve escondida no anexo secreto, mas também pelo "antes" e, tragicamente, pelo "depois".

Conhecer em pormenor o destino de cada uma das pessoas que partilhou aquele espaço com ela, os contornos da traição que os entregou à Gestapo e o rasto de sobrevivência (e perda) nos campos de concentração é de um realismo que nos aperta o coração. Melissa Müller não romanceia o sofrimento; ela expõe os factos com uma crueza e um respeito admiráveis.

Para quem, como eu, gosta de biografias que nos transportam verdadeiramente para dentro da História e que não escondem o lado mais sombrio da humanidade, esta coleção é de leitura obrigatória. Terminei o último volume com um nó na garganta, mas com a certeza de que esta é, sem dúvida, uma das leituras mais marcantes e completas que já passaram aqui pela Cave.

Se leram apenas o Diário, façam um favor a vós mesmos e procurem esta biografia completa. Vale cada página.

Nota Final da Biografia Completa: 5/5 ⭐️

terça-feira, 15 de setembro de 2020

A Rapariga no Comboio [ Paula Hawkins ]



Crítica e Opinião Final: O Livro vs O Filme

Cromos repetidos não fazem coleção, mas posts guardados no baú merecem sempre ver a luz do dia! Na altura em que partilhei convosco que estava a ler este fenómeno da Paula Hawkins, Por falta de tempo acabei por não deixar aqui a minha opinião final. Mas antes tarde do que nunca, especialmente porque este é daqueles thrillers psicológicos que nos ficam gravados na memória.

A experiência de ler A Rapariga no Comboio é uma autêntica montanha-russa de desconfiança. A forma como a autora constrói a Rachel, uma mulher completamente partida pelo divórcio, que se refugia no álcool e que sofre de apagões de memória terríveis é genial. Passamos metade do livro a torcer por ela, e a outra metade a questionar se ela não será a verdadeira culpada pelo desaparecimento da Megan. É um jogo psicológico brilhante e sufocante.

Na altura, também fiz questão de ver a adaptação para cinema com a Emily Blunt. E bem... como quase sempre acontece neste género, o livro ganha por goleada. O filme, embora visualmente bem conseguido, não consegue transmitir o ambiente claustrofóbico da cabeça da Rachel, nem o impacto daquela reviravolta final onde percebemos que o verdadeiro monstro esteve sempre disfarçado à vista de todos. O gaslighting e a manipulação psicológica que a Rachel sofria são muito mais viscerais e revoltantes nas páginas do que no ecrã.

Se por acaso viram o filme e acharam "morno", deem uma oportunidade ao livro. A escrita da Paula Hawkins agarra-nos ao carril do início ao fim e não nos deixa sair na próxima estação!

Nota Final: 4.5/5 ⭐️

sábado, 18 de abril de 2020

Braga em 2020 durante a pandemia do Covid-19


Miguel Ângelo - Photography© 2020

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"Vai tudo ficar bem"


Miguel Ângelo - Photography© 2020


O correspondente - Alan Furst


SINOPSE
Em 1938, centenas de intelectuais refugiaram-se em Paris, fugindo do governo fascista de Mussolini. No exílio, fundaram a resistência italiana e, combatendo o fascismo com máquinas de escrever, criaram mais de 500 jornais.

O Correspondente conta essa história, conta as vidas desses homens, e principalmente a de Carlo Weisz, um correspondente de guerra que se torna editor do Liberazione, um jornal clandestino, depois de o editor ser assassinado.

Quando Weisz regressa de uma reportagem sobre a guerra civil em Espanha, começa a ser perseguido pela Polícia de Segurança Francesa, pelos Serviços Secretos britânicos e pela OVRA, polícia secreta de Mussolini.

Numa Europa desesperada e em guerra, um correspondente estrangeiro é um alvo preferencial - para vigiar, chantagear ou matar.

***
Inverno de 1938 em Paris. Num discreto hotel para amantes ocorre um assassinato seguido de suicídio. Trata-se de uma ação da OVRA, a polícia secreta fascista de Mussolini, orquestrada para eliminar o editor do Liberazione, um jornal clandestino de intelectuais emigrados.

Carlo Weisz, que fugira de Trieste e conseguira trabalho como correspondente da ag
ência de notícias Reuters, torna-se seu novo editor. Weisz – um homem obrigado a agir em diversos fronts e determinado a salvar a amada, espiã na Alemanha de Hitler – passa a ser perseguido pela Sûreté (a polícia de segurança nacional francesa), pelos espiões da OVRA e pelos agentes do Serviço Secreto Britânico. Em meio ao confuso ambiente político da Europa à beira da guerra, o correspondente se torna uma peça importante no intrincado tabuleiro dos bastidores do conflito.

Considerado pelo New York Times "o mais proeminente romancista de espionagem da América" e comparado a mestres do gênero, como Graham Greene e John Le Carré, Alan Furst atribui parte de seu sucesso à composição de seus personagens.
"Todos eles poderiam escrever um livro. São inteligentes, bem informados, apreciam longas conversas, têm seus relacionamentos, querem um mundo melhor, são gentis e sentem compaixão. Meus personagens são tipos que todos crescem desejando ser", explica.