sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Resumo – O Assassino Inglês – Daniel Silva

 

Sabe bem, depois de um breve passeio por outros autores, voltar a Daniel Silva e ao protagonista Gabriel Allon.

Desta feita, mergulhamos de cabeça no segundo livro desta saga e, para quem, como eu, já leu vários livros bastante mais à frente na história, é muito interessante perceber como tudo começa e como nem sempre as coisas foram como as conhecemos nos livros mais recentes.

Estou curioso para perceber como está a recuperar Gabriel da perda da família em Viena e de ter matado o assassino da mulher e do filho.

Neste livro começamos pelo Prólogo, que nos leva a uma passagem ocorrida anos antes, na Suíça. Ao fim destas três ou quatro páginas, dei por mim a dizer: “Uau! O que vem por aí?”

Nos livros de Daniel Silva, os capítulos não são supercurtos, nem tão pouco excessivamente longos e pesados. Temos normalmente sete ou oito páginas, o que nos permite saborear bem aquilo que o autor nos está a servir.

Primeiro capítulo terminado e lá vamos nós, em viagens e emoção sem fim. Meia dúzia de páginas depois, já estamos dentro de um comboio a viajar de Londres para Zurique. Rapidamente, para quem já conhece o autor, damo-nos conta de que a voz de Daniel Silva está lá.

Sétimo capítulo. Ainda estamos muito no início deste livro, mas, para mim, que dos seis livros da saga Gabriel Allon que li até ao momento, está a ser muito interessante perceber que a relação de Gabriel com o seu tutor, Ari, é muito diferente nesta fase da saga, comparativamente com aquilo que conhecia até agora.

Terão os suíços outros interesses além de guardar o dinheiro do mundo? É uma pergunta que me surge neste momento.

No que respeita a esta saga, gosto sempre de fazer o exercício de comparar o ano de lançamento do livro, neste caso, 2002, com aquilo que se passava na geopolítica naquele momento.

Fim da primeira parte, com 12 capítulos que nos oferecem viagens desde Londres a Zurique, de Vitória até à Córsega e uma surpreendente e agradável passagem por Portugal. Sim, isso mesmo: pela Costa de Prata portuguesa, onde vive Anna Rofe.

Ainda é cedo para tirar conclusões, mas, pela forma como o autor a descreve e pelos deliciosos diálogos entre ela e Gabriel, tudo leva a crer que será uma personagem por quem será fácil apaixonar-me.

Escolher ler O Assassino Inglês a seguir a A Rapariga Inglesa foi um total acaso, mas dou-me agora conta de que foi, por sorte, uma escolha acertada.

Para quem já leu A Rapariga Inglesa, certamente se lembra das passagens pela Córsega, de Don Orsati, da velha Signora feiticeira ou até mesmo do teimoso bode que insistia em barrar o caminho a Gabriel.

Pois bem, neste livro tudo faz sentido. É como se tivéssemos aqui o enquadramento daquilo que já lemos. Delicioso.

Capitulo 10, depois de alguns reveses a que não estamos habituados com Gabriel, principalmente quem começou a ler livros mais avançados na história, deparamo-nos com mais um encontro entre Gabriel e Julian.

Através de um relato feito pelo mítico negociante de arte, ficamos a conhecer, em detalhe, o maior roubo de arte da história mundial, levado a cabo pelo regime nazi durante a ocupação francesa.

Sim, Hitler não se limitou a dizimar judeus nos campos de concentração. O regime nazi também roubou e, em alguns casos, destruiu obras de arte de grandes mestres da pintura.

Neste livro, de momento, ninguém está a salvo, principalmente enquanto existir um Assassino Inglês à solta.

Estou no capítulo 28 e, entretanto, voltamos a Portugal, desta feita a Lisboa.

Que gosto me está a dar poder viajar por Portugal através das histórias de Gabriel Allon!

No entanto, não posso deixar de referir, e ainda estou a meio do livro, portanto talvez ainda venha a ser surpreendido, que o rigor descritivo de Daniel Silva relativamente aos locais por onde a história passa não me parece ser o mesmo quando estamos em Portugal.

Nota-se que o autor domina muito mais cidades como Viena, Paris ou Londres, e até mesmo a própria Córsega, do que Lisboa e Portugal. O detalhe aqui é, na minha opinião, bastante inferior.

Entretanto, de volta a Zurique, dá-se até ao momento a maior cena de ação, com Anna Rofe a mostrar porque é que, desde o início do livro, é tão fácil apaixonarmo-nos por ela.

Até quando estará Gabriel um passo atrás?

E o que isso lhe poderá custar?

Terceira parte, Capitulo 37, para quem segue as minhas resenhas sobre livros, saberá que, quando li A Rapariga Inglesa, disse que a parte da Córsega e de Don Orsati, para mim, estava a mais naquele livro.

Pois bem, lendo agora este livro, que se passa muitos anos antes do outro, tenho de retirar tudo o que disse sobre esse detalhe, porque, na verdade, faz todo o sentido Don Orsati e a Córsega na vida de Gabriel.

Continuemos.

A dupla Gabriel e Anna está cada vez mais interessante. Poderão eles escapar ao tenebroso Christopher?

É impossível não sofrer com o spoiler que, pelo menos Gabriel, sim, irá sobreviver. Mas e Anna? Sairá viva desta história?

Ou será apenas mais uma mulher por quem Gabriel se apaixona e que acaba morta?

Estamos neste momento em Veneza e tudo pode acontecer.

Fim do capítulo 40 e continuamos na bela Veneza. Já se deu o desfecho dos acontecimentos do recital de Anna Rofe.

Não vou fazer nenhum spoiler, mas estou certo de que o desfecho vos vai surpreender, tal como me surpreendeu a mim.

Já sabíamos que Gabriel Allon escaparia à mira do Assassino Inglês, mas tudo está em aberto quanto à violinista suíça.

Uma coisa é certa: quanto mais capítulos leio deste livro, mais entendo partes de livros posteriores, principalmente A Rapariga Inglesa.

Se, tal como eu, já leram esse livro e ainda não leram O Assassino Inglês, não percam tempo.

Final da terceira parte e início da quarta e última:

A terceira parte acaba de forma frenética. A expressão “a sorte protege os audazes” nunca fez tanto sentido neste livro em geral e nestes capítulos em particular, tendo em conta o que aconteceu a Gabriel.

Chegamos a temer pela vida de Allon, e a atitude de Petersson, o chefe das polícias suíças, não é normal. Ainda por cima, sabendo que poderia estar a pôr a própria vida em risco, é necessário um homem estar muito mal com a sua consciência para fazer o que ele faz.

A quarta parte começa três meses depois, já com Gabriel a lamber as feridas no seu refúgio da Cornualha.

E, como é normal nestes livros, não sai muito dali. Acaba com as reflexões de vida de Gabriel e deixa algumas coisas em aberto para o próximo livro.

Anna Rofe volta a aparecer mesmo no final, ficando em aberto se aparecerá mais vezes em histórias futuras.

Sobre o livro:

Sobre o livro em geral e, para terminar, como sempre, vale muito a pena.

É verdade que, na minha opinião, não é o melhor livro da saga, mas isso poderá acontecer porque é apenas o segundo livro ou talvez porque, como tenho lido a saga de forma desordenada, já li livros mais adiantados na linha temporal, o que poderá retirar algum brilhantismo a estes livros mais antigos.

Para os que perguntam porque leio os livros desordenadamente sendo eu fã desta saga, a resposta é simples.

Descobri Daniel Silva por acaso. Li o primeiro livro sem saber que se tratava de uma saga e fui lendo outros por sugestão de amigos. Quando dei por mim, já tinha lido três ou quatro e estava completamente fã.

Entretanto, adquiri toda a coleção e agora estou a lê-la por ordem.

E talvez seja precisamente por isso que tem sido tão interessante voltar atrás e descobrir as origens de personagens, relações e acontecimentos que já conheço de livros posteriores.

Nota: 4,1 / 5


Nova leitura a caminho! - O Terceiro Gémeo, de Ken Follett.



Nova leitura a caminho!

Depois de terminar O Assassino Inglês, de Daniel Silva, é altura de mudar de autor, mas continuar por um território que já conheço bem.

Comecei agora O Terceiro Gémeo, de Ken Follett, um autor que também conheço bem e que adoro ler.

Ainda estou no início, por isso não vou tirar já grandes conclusões. Vou deixar a história acontecer, página após página, e descobrir onde Ken Follett me vai levar desta vez.

Em breve estarei por aqui para partilhar convosco a minha opinião, as minhas impressões e, claro, a nota final.

Até lá… boas leituras! 


sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Resenha / Diário de Leitura: "O Presidente Desapareceu" – James Patterson & Bill Clinton

Antes de mais nada, cabe-me dizer que esta foi uma estreia absoluta para mim no que toca a ler James Patterson. Resolvi fazer um resumo em estilo de diário de leitura, onde fui acrescentando as minhas opiniões e sensações ao longo da história, sem nunca dar spoilers!

A Evolução da Leitura (Capítulo a Capítulo)

  • Capítulos 1 a 7: O ritmo ainda não está alucinante, mas percebe-se logo que virá a ser, muito pelas repentinas guinadas que o autor dá a cada mudança de capítulo.

  • A reflexão das redes e da informação: Surgiu-me logo uma grande reflexão sobre como somos influenciados pela nova moda do ciclo de notícias de 24 horas. A "espuma dos dias" sobrepõe-se aos assuntos verdadeiramente importantes para a população. "Estamos a utilizar as novas tecnologias para regredir até aos primórdios das relações humanas" uma dura e atualíssima crítica a como as redes sociais toldam o nosso raciocínio nos dias de hoje.

  • O detalhe realista: Só um livro com a participação de um ex-presidente dos EUA (neste caso, Bill Clinton) nos pode dar de forma tão detalhada a vida do líder de uma superpotência. Num momento está a falar com assessores; dez minutos depois, a telefonar à mãe de um soldado que acaba de falecer em missão; e logo a seguir é chamado de urgência à Sala de Situação. Já li alguns livros relacionados com presidentes americanos, mas com este nível de detalhe... nunca! Conhecemos a fundo o que sente este homem que, além de Presidente, é também um ser humano com sentimentos, frustrações e vulnerabilidades.

  • Capítulo 11 (O ponto de viragem): Além de ser incrível por demonstrar o peso e a responsabilidade gigante nas mãos de um Presidente ao decidir se um míssil faz ou não explodir determinado alvo e quem morre com essa decisão, foi exatamente aqui que me comecei a sentir verdadeiramente preso ao livro.

  • Capítulo 34: A construção da narrativa faz-se em forma de relato na primeira pessoa por parte do Presidente Jonathan Duncan, com vários diálogos pelo meio. É uma fase de muita ação, com capítulos super curtos que não nos deixam parar de ler.

  • Capítulo 53: A única pergunta que me surge é: (sem spoilers) estaremos nós mesmo sujeitos a que algo assim aconteça? O livro dá especial importância ao bom entendimento que deve existir entre os membros da NATO. Curiosamente ou eroticamente, foi publicado em 2018, precisamente durante o primeiro mandato de Donald Trump. Ironia ou puro sarcasmo de Patterson e Clinton?

  • Capítulo 75: Faz-nos pensar em quão vulneráveis e dependentes somos hoje em dia de uma "coisinha" chamada internet. Demonstra que se pode causar uma catástrofe muito maior sem o trabalho de atirar dois aviões contra as Torres Gémeas em Nova Iorque. Mas também nos faz perguntar: estamos hoje a fazer algo para evitar uma tragédia destas, ou, tal como no 11 de Setembro, terá primeiro de acontecer para agirmos?

  • Capítulo 90: A incerteza continua a cada página virada! Irá Jonathan Duncan conseguir forças para salvar os EUA? Existirá um traidor dentro do seu núcleo duro? Mesmo que vos quisesse dar um spoiler (coisa que não quero!), não o poderia fazer, no capítulo 90 a emoção está ao rubro e tudo pode acontecer!

As Minhas Conclusões Finais

Finalizada a leitura, estou perante uma grandíssima história. Já tinha lido e escutado que James Patterson tem uma escrita que nos cola verdadeiramente ao livro, e confirma-se a 100%! Principalmente no último terço, o ritmo é alucinante, com o Presidente Duncan numa constante corrida contra o relógio para salvar a nação. Confesso que na parte final cheguei a sentir alguma ansiedade, tal era o frenesim!

Este livro obriga-nos a fazer um sem-número de reflexões:

  1. A nossa dependência tecnológica: O quão perigosa é a dependência da internet, embora devamos a ela o avanço da sociedade em que vivemos.

  2. A geopolítica atual: A forma como o mundo se divide (e sempre dividirá) entre o "lado bom" e o "lado mau" na perspetiva de cada um. E a importância crucial de alianças fortes e saudáveis na NATO algo que, nos dias em que escrevo esta resenha, nos deixa tantas dúvidas e receios, quer pela atual administração americana quer pelo rumo político na Europa. Como seria bom ter hoje líderes, tanto nos EUA como na Europa, capazes de fazer o discurso que Duncan faz no final deste livro! Mas a verdade é que o livro também nos alerta para a forma como a política está cada vez mais podre.

Notas rápidas sobre algumas personagens (sem levantar o véu):

  • Bach: Uma maravilhosa e bela assassina que, depois de entendermos a sua história e o seu propósito de vida, acabo eu próprio a torcer para que tudo lhe corra bem!

  • Nina e Augie: A prova de que nunca é tarde para tentar fazer o bem, por muito mal que já se tenha feito no passado.

Para o meu gosto pessoal, sinto apenas falta das viagens pelo mundo que tanto me fascinam nos livros de espionagem. De Paris a Moscovo, de Lisboa a Nova Iorque, adoro viajar dentro de um livro! Este não tem isso, é verdade; mas viver por dentro a mente de um Presidente dos EUA contada na primeira pessoa durante uma emergência de tamanha gravidade tem a sua própria espetacularidade.

⭐ Nota final: 4,1 / 5





A Ler: De Regresso a Daniel Silva com "O Assassino Inglês"

Depois de uma passagem pelas páginas de James Peterson, é hora de voltar a um porto seguro e regressar ao universo de Daniel Silva! Desta vez, peguei em "O Assassino Inglês", o segundo livro da famosa Saga Gabriel Allon.

Como costumo fazer com esta série, tenho lido os livros de forma solta e desordenada. Para quem também navega pela saga assim, saiba que é perfeitamente possível e tranquilo, o Daniel Silva constrói cada obra com a sua própria história, enredo e resolução independente, permitindo apreciar a leitura sem nos sentirmos perdidos.

Estou muito curioso para ver como se desenrola esta missão e acompanhar mais um capítulo do nosso restaurador de arte e espião favorito.

Como já é hábito aqui na Cave Secreta, deixarei por cá a minha resenha e opinião detalhada assim que fechar a última página!

Alguém por aí também costuma ler a saga do Gabriel Allon fora de ordem, ou preferem seguir a cronologia certinha? Boas leituras!




sexta-feira, 21 de agosto de 2026

As Três Vidas, de João Tordo: Um Jogo Psicológico Perturbador e Inquietante

 


Ao fim da primeira meia dúzia de capítulos não consegui saber bem o porquê, mas entendi logo que a escrita de João Tordo é diferente. Muito diferente. É fácil de ler, mas não tão fácil de compreender; sentimos um mistério escondido a cada parágrafo.

Importante referir que sou iniciante neste autor e seis capítulos não chegam para retirar conclusões profundas, por isso decidi ir registando a minha opinião conforme a leitura ia avançando.

O Diário de Uma Leitura Inquietante

A maneira como o autor constrói a narrativa deste livro é muitíssimo interessante: é como se fosse um diário que o narrador conta na primeira pessoa. Há duas coisas nesta história que nos deixam inquietos desde muito cedo: uma é o nome do próprio narrador e a outra é o verdadeiro negócio de Millhouse Pascal. E mais não vos vou adiantar!

  • Página 130: O livro está cada vez mais inquietante. Num momento parece que tudo começa a fazer sentido e, logo a seguir, tudo se baralha outra vez. Jogo psicológico é a expressão que me ocorre dizer nesta fase da leitura, vinda de um autor que me parece muitíssimo sofisticado.

  • Página 164: Neste momento ainda não consegui entender se todo o relato do narrador aconteceu mesmo na sua vida ou se tudo não passa de um sonho (ou pesadelo).

De Portugal a Nova Iorque

Fazemos aqui uma viagem pelo Portugal profundo do final da década de 70 e início da década de 80. O autor faz uma descrição dos cenários sem exageros, mas suficiente para nos sentirmos completamente dentro da história. É o retrato de um Portugal recém-saído de uma ditadura, onde ainda era possível viver de maneira anónima, como se vivia na Quinta do Tempo.

De repente, e quase sem darmos por isso, embarcamos numa viagem a Nova Iorque. Uma América do início dos anos 80 tão diferente do que é hoje, mas também tão distante do Portugal da época. Em determinado momento retive uma frase que exemplifica bem esse choque cultural: “Passou uma rapariga com uns walkie talkies, nunca tinha visto nada assim”.

Quando o livro deixa de estar focado apenas no narrador a contar a sua própria história e passa para o próprio Millhouse Pascal a narrar a sua vida, todas as peças começam finalmente a encaixar e tudo ganha outro sentido.

A Condição Humana e a Saúde Mental

Chegado ao final da extensa primeira parte do livro, João Tordo faz-nos pensar sobre a nossa própria humanidade:

  • Quem nunca esteve perante a indecisão de tomar uma decisão?

  • Quem nunca teve a vontade de deixar tudo para trás?

  • Quem nunca se sentiu perdido e sem saber o que fazer?

  • Quem nunca tentou enganar-se a si próprio, arranjando uma qualquer desculpa esfarrapada?

Devorei a segunda parte — bem mais curta que a primeira — de forma rápida. Ao contrário da primeira (onde encontramos traços da nossa condição humana e coisas que nos podem acontecer no dia a dia), nesta segunda parte deparamo-nos com um ser que passa por profundas mazelas mentais. Algo que, felizmente, não acontece à maioria de nós… espero eu!

Na terceira e quarta parte continuamos no mesmo ritmo. O nosso narrador segue na busca de si próprio e de um rumo para a sua vida.

As Minhas Considerações Finais

Embora seja uma obra de ficção, fica sempre a ideia no ar de que há algo de verídico neste relato — como se fosse algo contado por alguém que se cruzou na vida real do autor. Mas, suposições à parte, este livro é a prova de quão marcantes (positiva ou negativamente) podem ser as pessoas e as experiências que cruzamos em determinado momento do nosso caminho.

Numa altura em que se fala tanto de saúde mental, João Tordo explora muitíssimo bem esse tema, mantendo um jogo psicológico do princípio ao fim. Como leitor, fui obrigado a procurar sempre algo de real e muito de mim mesmo nestas páginas. Já diz o ditado que "de poeta e de louco, todos temos um pouco" — acho que, no fundo, todos somos um pouco como o narrador desta história, em busca do nosso próprio caminho.

Recomendação: Gostei bastante do livro! Aconselho vivamente a quem lê com muita regularidade. Para quem lê apenas um ou dois livros por ano, na minha opinião, talvez não seja o livro ideal.

Nota: 3.8 / 5 ⭐️

Próxima Leitura: O que acontece quando o Presidente dos EUA desaparece?


Depois das últimas incursões pelo mundo do suspense e da espionagem, acabei de pegar num livro que promete uma dose de adrenalina geopolítica pura: "O Presidente Desapareceu", escrito a quatro mãos pelo ex-presidente Bill Clinton e pelo mestre dos thrillers James Patterson!

A premissa não podia ser mais intrigante: um ataque cibernético ameaça colocar os Estados Unidos de joelhos e, no meio de conspirações e de um possível traidor dentro do seu próprio gabinete, o Presidente decide simplesmente desaparecer para tentar resolver a crise na sombra.

Estou muito curioso para ver como se junta a experiência real de quem habitou a Casa Branca com a escrita rápida e viciante de Patterson, embora para mim seja uma estreia com este autor. A contagem decrescente de três dias já começou nas minhas páginas!

Em breve trago a recensão completa aqui para a Cave Secreta. Alguém por aí já leu este thriller? O que acharam desta dupla de autores?

Até lá, boas leituras!


 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A Marca do Assassino - Daniel Silva

 



A Marca do Assassino, de Daniel Silva | Opinião & Impressões

Estava curioso para perceber se o tipo de escrita de Daniel Silva se mantinha tal e qual como o conheço da saga protagonizada por Gabriel Allon, ou se existiria alguma diferença neste início de carreira. A verdade é que, nos primeiros capítulos, nota-se uma ligeira nuance, mas a essência e a maestria do autor já lá estavam desde o primeiro momento.

O início do livro foca-se mais na trama política do que na espionagem pura, descrevendo com precisão o poder avassalador da indústria do armamento na política e a forma como a comunicação social é manipulada e influenciada.

Da Ação Frenética à Origem de Gabriel Allon

Chegados ao capítulo 12, a história desperta verdadeiramente a atenção de quem procura ação. E que bela mansão numa das ilhas das Caraíbas! Para quem sabe o que está a ler, o surgimento de Ari Shamron deixa-nos surpresos e inquietos. Além disso, deparamo-nos com um assassino refinado que também é pintor… onde é que eu já vi isto? 😀

A partir do capítulo 13, a ação torna-se frenética. Conhecer melhor a figura de Delaroche é incrível, e Astrid encaixa perfeitamente no perfil de um assassino de elite. De repente, vemo-nos numa viagem vertiginosa de Washington a Londres, passando por França e pelos Países Baixos. É também fascinante perceber como personagens como Graham já habitavam a mente de Daniel Silva antes do nascimento da saga Allon.

Uma Viagem Guiada com Nível de Detalhe Soberbo

O nível de detalhe com que o autor descreve cada cena, cada rua e cada personagem é, por vezes, quase exagerado — mas de uma forma brilhante. Transporta-nos para dentro do livro como se fôssemos parte integrante dele. Ler Daniel Silva é, genuinamente, fazer uma viagem pelo mundo.

Se, tal como eu, nunca visitaram o Egito, num dos capítulos deste livro serão brindados com uma autêntica visita guiada ao Cairo. O detalhe é tão impressionante que, no meu caso, consegui quase sentir os cheiros da cidade. Soberbo!

Michael Osborne vs. Gabriel Allon

Para os fãs de Daniel Silva e amantes de Gabriel Allon, é impossível não tentar identificar semelhanças com o protagonista Michael Osborne. No entanto, na minha opinião, as diferenças superam as semelhanças! Não vou adiantar mais para não dar spoilers — vocês dir-me-ão o que acham quando o lerem.

Visionário ou Retrato do Mundo Real?

Apesar de já terem passado mais de 20 anos desde que Daniel Silva escreveu esta obra, não posso deixar de sublinhar que esta história se podia perfeitamente passar hoje. O nível de influência que os "senhores do dinheiro" exercem na política (neste caso, na americana) é impressionantemente detalhado. Fiquei a pensar se toda esta teia não faz lembrar a influência que figuras como Elon Musk ganharam na política atual… Só que este livro foi escrito há mais de duas décadas. Visionário, ou será que simplesmente nada mudou desde então?

Veredicto Final

O livro é frenético, não pára de nos dar emoção e reserva uma nova surpresa a cada capítulo. Como não podia deixar de ser, é uma grande obra — ou não fosse do grande Daniel Silva. Para quem acompanha a sua carreira, é impressionante notar a evolução que o autor teve ao longo do tempo até chegar ao topo com a série Allon. 

Quero muito ler o segundo livre desta saga "A Marcha".

⭐ Nota: 4 / 5