A Marca do Assassino, de Daniel Silva | Opinião & Impressões
Estava curioso para perceber se o tipo de escrita de Daniel Silva se mantinha tal e qual como o conheço da saga protagonizada por Gabriel Allon, ou se existiria alguma diferença neste início de carreira. A verdade é que, nos primeiros capítulos, nota-se uma ligeira nuance, mas a essência e a maestria do autor já lá estavam desde o primeiro momento.
O início do livro foca-se mais na trama política do que na espionagem pura, descrevendo com precisão o poder avassalador da indústria do armamento na política e a forma como a comunicação social é manipulada e influenciada.
Da Ação Frenética à Origem de Gabriel Allon
Chegados ao capítulo 12, a história desperta verdadeiramente a atenção de quem procura ação. E que bela mansão numa das ilhas das Caraíbas! Para quem sabe o que está a ler, o surgimento de Ari Shamron deixa-nos surpresos e inquietos. Além disso, deparamo-nos com um assassino refinado que também é pintor… onde é que eu já vi isto? 😀
A partir do capítulo 13, a ação torna-se frenética. Conhecer melhor a figura de Delaroche é incrível, e Astrid encaixa perfeitamente no perfil de um assassino de elite. De repente, vemo-nos numa viagem vertiginosa de Washington a Londres, passando por França e pelos Países Baixos. É também fascinante perceber como personagens como Graham já habitavam a mente de Daniel Silva antes do nascimento da saga Allon.
Uma Viagem Guiada com Nível de Detalhe Soberbo
O nível de detalhe com que o autor descreve cada cena, cada rua e cada personagem é, por vezes, quase exagerado — mas de uma forma brilhante. Transporta-nos para dentro do livro como se fôssemos parte integrante dele. Ler Daniel Silva é, genuinamente, fazer uma viagem pelo mundo.
Se, tal como eu, nunca visitaram o Egito, num dos capítulos deste livro serão brindados com uma autêntica visita guiada ao Cairo. O detalhe é tão impressionante que, no meu caso, consegui quase sentir os cheiros da cidade. Soberbo!
Michael Osborne vs. Gabriel Allon
Para os fãs de Daniel Silva e amantes de Gabriel Allon, é impossível não tentar identificar semelhanças com o protagonista Michael Osborne. No entanto, na minha opinião, as diferenças superam as semelhanças! Não vou adiantar mais para não dar spoilers — vocês dir-me-ão o que acham quando o lerem.
Visionário ou Retrato do Mundo Real?
Apesar de já terem passado mais de 20 anos desde que Daniel Silva escreveu esta obra, não posso deixar de sublinhar que esta história se podia perfeitamente passar hoje. O nível de influência que os "senhores do dinheiro" exercem na política (neste caso, na americana) é impressionantemente detalhado. Fiquei a pensar se toda esta teia não faz lembrar a influência que figuras como Elon Musk ganharam na política atual… Só que este livro foi escrito há mais de duas décadas. Visionário, ou será que simplesmente nada mudou desde então?
Veredicto Final
O livro é frenético, não pára de nos dar emoção e reserva uma nova surpresa a cada capítulo. Como não podia deixar de ser, é uma grande obra — ou não fosse do grande Daniel Silva. Para quem acompanha a sua carreira, é impressionante notar a evolução que o autor teve ao longo do tempo até chegar ao topo com a série Allon.
Quero muito ler o segundo livre desta saga "A Marcha".
⭐ Nota: 4 / 5










