sexta-feira, 21 de agosto de 2026

As Três Vidas, de João Tordo: Um Jogo Psicológico Perturbador e Inquietante

 


Ao fim da primeira meia dúzia de capítulos não consegui saber bem o porquê, mas entendi logo que a escrita de João Tordo é diferente. Muito diferente. É fácil de ler, mas não tão fácil de compreender; sentimos um mistério escondido a cada parágrafo.

Importante referir que sou iniciante neste autor e seis capítulos não chegam para retirar conclusões profundas, por isso decidi ir registando a minha opinião conforme a leitura ia avançando.

O Diário de Uma Leitura Inquietante

A maneira como o autor constrói a narrativa deste livro é muitíssimo interessante: é como se fosse um diário que o narrador conta na primeira pessoa. Há duas coisas nesta história que nos deixam inquietos desde muito cedo: uma é o nome do próprio narrador e a outra é o verdadeiro negócio de Millhouse Pascal. E mais não vos vou adiantar!

  • Página 130: O livro está cada vez mais inquietante. Num momento parece que tudo começa a fazer sentido e, logo a seguir, tudo se baralha outra vez. Jogo psicológico é a expressão que me ocorre dizer nesta fase da leitura, vinda de um autor que me parece muitíssimo sofisticado.

  • Página 164: Neste momento ainda não consegui entender se todo o relato do narrador aconteceu mesmo na sua vida ou se tudo não passa de um sonho (ou pesadelo).

De Portugal a Nova Iorque

Fazemos aqui uma viagem pelo Portugal profundo do final da década de 70 e início da década de 80. O autor faz uma descrição dos cenários sem exageros, mas suficiente para nos sentirmos completamente dentro da história. É o retrato de um Portugal recém-saído de uma ditadura, onde ainda era possível viver de maneira anónima, como se vivia na Quinta do Tempo.

De repente, e quase sem darmos por isso, embarcamos numa viagem a Nova Iorque. Uma América do início dos anos 80 tão diferente do que é hoje, mas também tão distante do Portugal da época. Em determinado momento retive uma frase que exemplifica bem esse choque cultural: “Passou uma rapariga com uns walkie talkies, nunca tinha visto nada assim”.

Quando o livro deixa de estar focado apenas no narrador a contar a sua própria história e passa para o próprio Millhouse Pascal a narrar a sua vida, todas as peças começam finalmente a encaixar e tudo ganha outro sentido.

A Condição Humana e a Saúde Mental

Chegado ao final da extensa primeira parte do livro, João Tordo faz-nos pensar sobre a nossa própria humanidade:

  • Quem nunca esteve perante a indecisão de tomar uma decisão?

  • Quem nunca teve a vontade de deixar tudo para trás?

  • Quem nunca se sentiu perdido e sem saber o que fazer?

  • Quem nunca tentou enganar-se a si próprio, arranjando uma qualquer desculpa esfarrapada?

Devorei a segunda parte — bem mais curta que a primeira — de forma rápida. Ao contrário da primeira (onde encontramos traços da nossa condição humana e coisas que nos podem acontecer no dia a dia), nesta segunda parte deparamo-nos com um ser que passa por profundas mazelas mentais. Algo que, felizmente, não acontece à maioria de nós… espero eu!

Na terceira e quarta parte continuamos no mesmo ritmo. O nosso narrador segue na busca de si próprio e de um rumo para a sua vida.

As Minhas Considerações Finais

Embora seja uma obra de ficção, fica sempre a ideia no ar de que há algo de verídico neste relato — como se fosse algo contado por alguém que se cruzou na vida real do autor. Mas, suposições à parte, este livro é a prova de quão marcantes (positiva ou negativamente) podem ser as pessoas e as experiências que cruzamos em determinado momento do nosso caminho.

Numa altura em que se fala tanto de saúde mental, João Tordo explora muitíssimo bem esse tema, mantendo um jogo psicológico do princípio ao fim. Como leitor, fui obrigado a procurar sempre algo de real e muito de mim mesmo nestas páginas. Já diz o ditado que "de poeta e de louco, todos temos um pouco" — acho que, no fundo, todos somos um pouco como o narrador desta história, em busca do nosso próprio caminho.

Recomendação: Gostei bastante do livro! Aconselho vivamente a quem lê com muita regularidade. Para quem lê apenas um ou dois livros por ano, na minha opinião, talvez não seja o livro ideal.

Nota: 3.8 / 5 ⭐️

Próxima Leitura: O que acontece quando o Presidente dos EUA desaparece?


Depois das últimas incursões pelo mundo do suspense e da espionagem, acabei de pegar num livro que promete uma dose de adrenalina geopolítica pura: "O Presidente", escrito a quatro mãos pelo ex-presidente Bill Clinton e pelo mestre dos thrillers James Patterson!

A premissa não podia ser mais intrigante: um ataque cibernético ameaça colocar os Estados Unidos de joelhos e, no meio de conspirações e de um possível traidor dentro do seu próprio gabinete, o Presidente decide simplesmente desaparecer para tentar resolver a crise na sombra.

Estou muito curioso para ver como se junta a experiência real de quem habitou a Casa Branca com a escrita rápida e viciante de Patterson, embora para mim seja uma estreia com este autor. A contagem decrescente de três dias já começou nas minhas páginas!

Em breve trago a recensão completa aqui para a Cave Secreta. Alguém por aí já leu este thriller? O que acharam desta dupla de autores?

Até lá, boas leituras!


 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A Marca do Assassino - Daniel Silva

 



A Marca do Assassino, de Daniel Silva | Opinião & Impressões

Estava curioso para perceber se o tipo de escrita de Daniel Silva se mantinha tal e qual como o conheço da saga protagonizada por Gabriel Allon, ou se existiria alguma diferença neste início de carreira. A verdade é que, nos primeiros capítulos, nota-se uma ligeira nuance, mas a essência e a maestria do autor já lá estavam desde o primeiro momento.

O início do livro foca-se mais na trama política do que na espionagem pura, descrevendo com precisão o poder avassalador da indústria do armamento na política e a forma como a comunicação social é manipulada e influenciada.

Da Ação Frenética à Origem de Gabriel Allon

Chegados ao capítulo 12, a história desperta verdadeiramente a atenção de quem procura ação. E que bela mansão numa das ilhas das Caraíbas! Para quem sabe o que está a ler, o surgimento de Ari Shamron deixa-nos surpresos e inquietos. Além disso, deparamo-nos com um assassino refinado que também é pintor… onde é que eu já vi isto? 😀

A partir do capítulo 13, a ação torna-se frenética. Conhecer melhor a figura de Delaroche é incrível, e Astrid encaixa perfeitamente no perfil de um assassino de elite. De repente, vemo-nos numa viagem vertiginosa de Washington a Londres, passando por França e pelos Países Baixos. É também fascinante perceber como personagens como Graham já habitavam a mente de Daniel Silva antes do nascimento da saga Allon.

Uma Viagem Guiada com Nível de Detalhe Soberbo

O nível de detalhe com que o autor descreve cada cena, cada rua e cada personagem é, por vezes, quase exagerado — mas de uma forma brilhante. Transporta-nos para dentro do livro como se fôssemos parte integrante dele. Ler Daniel Silva é, genuinamente, fazer uma viagem pelo mundo.

Se, tal como eu, nunca visitaram o Egito, num dos capítulos deste livro serão brindados com uma autêntica visita guiada ao Cairo. O detalhe é tão impressionante que, no meu caso, consegui quase sentir os cheiros da cidade. Soberbo!

Michael Osborne vs. Gabriel Allon

Para os fãs de Daniel Silva e amantes de Gabriel Allon, é impossível não tentar identificar semelhanças com o protagonista Michael Osborne. No entanto, na minha opinião, as diferenças superam as semelhanças! Não vou adiantar mais para não dar spoilers — vocês dir-me-ão o que acham quando o lerem.

Visionário ou Retrato do Mundo Real?

Apesar de já terem passado mais de 20 anos desde que Daniel Silva escreveu esta obra, não posso deixar de sublinhar que esta história se podia perfeitamente passar hoje. O nível de influência que os "senhores do dinheiro" exercem na política (neste caso, na americana) é impressionantemente detalhado. Fiquei a pensar se toda esta teia não faz lembrar a influência que figuras como Elon Musk ganharam na política atual… Só que este livro foi escrito há mais de duas décadas. Visionário, ou será que simplesmente nada mudou desde então?

Veredicto Final

O livro é frenético, não pára de nos dar emoção e reserva uma nova surpresa a cada capítulo. Como não podia deixar de ser, é uma grande obra — ou não fosse do grande Daniel Silva. Para quem acompanha a sua carreira, é impressionante notar a evolução que o autor teve ao longo do tempo até chegar ao topo com a série Allon. 

Quero muito ler o segundo livre desta saga "A Marcha".

Nota: 4 / 5

As Três Vidas - João Tordo

 


Nova Leitura na Cave: As Três Vidas, de João Tordo

Hora de abrir portas a novos horizontes por cá! Hoje dou início a uma leitura muito especial: "As Três Vidas", de João Tordo.

É a primeira vez que leio este autor, um passo que já devia ter dado há mais tempo, impulsionado pela vontade de explorar e descobrir mais vozes da literatura portuguesa contemporânea. Depois de tantas recomendações entusiasmadas de amigos, que garantem ser uma história envolvente e impossível de largar, a curiosidade venceu e não resisti a trazê-lo para a estante.

A premissa sobre segredos de família, obsessão e o passado misterioso em torno do funambulismo já me fisgou logo nas primeiras páginas.

Vamos ver que mistérios e reviravoltas nos reserva esta viagem! Alguém por aí já o leu? Que impressões guardam da escrita do João Tordo?

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Crítica: "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas" de Dale Carnegie – Um Clássico ou um Livro Desatualizado?

 



Acabo de fechar a última página de um dos livros mais famosos do mundo: "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas", de Dale Carnegie. Hoje trago-vos uma opinião muito honesta, pesando aquilo que retirei de bom e os aspetos que me deixaram de pé atrás.

Para abrir o apetite, deixo-vos primeiro com o "esqueleto" das ideias que o autor defende ao longo da obra:

🔍Os Princípios do Livro (Em Resumo)

  • Técnicas fundamentais para lidar com pessoas: Não critique, não condene, não se queixe; Mostre um apreço honesto e sincero; Desperte na outra pessoa uma necessidade premente.

  • Seis maneiras de fazer com que gostem de si: Interesse-se genuinamente; Sorria; Lembre-se de que o nome de uma pessoa é o som mais doce para ela; Seja um bom ouvinte; Fale em função dos interesses do outro; Faça o outro sentir-se importante.

  • Conquistar pessoas para a sua forma de pensar: Evite discussões; Respeite as opiniões (nunca diga "está errado"); Admita os seus erros rapidamente; Comece de forma amigável; Consiga o "sim" imediato; Deixe o outro falar; Faça o outro sentir que a ideia é dele; Veja o ponto de vista alheio; Apele aos motivos nobres e dramatize as ideias.

  • Seja um líder (Mudar os outros sem ofender): Comece com elogios; Chame a atenção para os erros indiretamente; Fale dos seus erros antes de criticar; Faça perguntas em vez de ordens; Deixe o outro salvar a face; Elogie o mais ínfimo progresso; Crie uma reputação que o outro queira respeitar; Faça os erros parecerem fáceis de corrigir.

👍 O que Gostei (Os Pontos Positivos)

O livro tem uma escrita muito fácil de entender e compreender. Chega a um ponto em que parece que estamos sentados com o autor numa esplanada a ter uma conversa informal. Está muito bem estruturado por capítulos e ideias principais, o que faz com que a leitura flua e seja apetecível no início.

O grande mérito da obra é fazer-nos pensar nas nossas atitudes diárias, seja na vida pessoal ou profissional. Quem ler este livro vai, certamente, identificar pontos que pode melhorar para evoluir as suas relações.

Destaco quatro grandes lições que levo para a vida:

  1. "Não critique, não condene, não se queixe": É uma excelente premissa. Hoje em dia criticamos muito os outros sem olharmos ao espelho e passamos demasiado tempo a lamentar-nos em vez de valorizar o que temos.

  2. "Sorria": Faz-nos muita falta utilizar mais esta regra. O mundo seria muito melhor se todos sorríssemos genuinamente mais.

  3. "Ser um bom ouvinte": Esta vou aplicar desde já. O ditado popular já diz tudo: "ouvidos mais abertos e boca mais fechada", ou "em boca fechada não entra mosca".

  4. A maior aprendizagem do livro (Início da Parte 3): "A única maneira de vencer numa discussão, é evitá-la". Aconselho todos a lerem este capítulo mais do que uma vez. É uma lição de ouro para o lado pessoal e profissional.

👎 O que Não Gostei (Os Contra-sensos e a Desatualização)

Apesar dos bons conselhos, a verdade é que, na minha opinião, este livro foi escrito numa época em que o acesso à informação era muito mais reduzido. Nos dias de hoje, encontra-se bastante desajustado à realidade. Devo confessar que, mais ou menos a meio do livro, pensei em desistir. Só não o fiz por teimosia, para poder fazer uma apreciação justa do meu ponto de vista.

Para mim, o livro falha em alguns aspetos cruciais:

  • O "Preto no Branco" do autor: Carnegie reduz frequentemente as coisas ao extremo: ou fazemos tal e qual como está no livro e somos bem-sucedidos, ou não fazemos e somos uns fracassados. Chega a escrever: “Então é porque as nossas almas não são maiores que uma amêndoa amarga, e não tardaremos a descobrir o fracasso que tanto merecemos”. Obviamente não é assim; existem muitas outras maneiras de alcançar o sucesso e fazer amigos.

  • Falta de genuinidade: No segundo capítulo da Parte 3, o autor ensina-nos uma estratégia que evita discussões, mas obriga-nos a não ser corretos nem genuínos: "Nunca diga que alguém está errado, mesmo que tenha a certeza que essa pessoa está errada".

  • Estratégias manipuladoras e o Burnout: O último princípio da terceira parte ("Lance o desafio") mostra o quanto o livro envelheceu mal. Esta é das técnicas mais manipuladoras que podem existir numa empresa. Muitos chefes e patrões usam a técnica da comparação entre colaboradores para os fazer produzir mais. Na altura em que o livro foi escrito não se falava em burnout, esse flagelo da sociedade moderna. Usar isto hoje é altamente reprovável.

  • Falta de fôlego e repetição: A partir de metade da Parte 3, o livro perde os argumentos e foca-se apenas em que devemos ser compreensíveis. A cada capítulo torna-se mais e mais repetitivo. A três capítulos do fim, estava completamente sem vontade de continuar.

💬 O meu sincero veredicto Final

Para se atingirem os objetivos deste livro, é necessário querer muito mudar, porque, ao fim ao cabo, o que ele propõe é que moldemos a nossa maneira de ser e a nossa própria personalidade, e isso é extremamente complicado. Nos dias de hoje, muito dificilmente conseguimos seguir estas técnicas à risca.

Este livro muito provavelmente permanecerá no topo dos livros que menos gostei durante muito tempo. No entanto, não dou o tempo totalmente como perdido, porque ajudou-me a refletir sobre atitudes minhas que não ajudam nas relações.

Agora que terminei, no fundo, ainda bem que o li. Mas se soubesse o que sei hoje... não o compraria nem o começaria a ler.

E por aí, alguém já leu este clássico? Qual é a vossa opinião?

Vemo-nos em outras leituras...

Nota: 2.5 / 5 ⭐️

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Próxima Leitura: Uma Viagem ao Passado de Daniel Silva!

 

Depois de fechar a última página de Uma Rapariga Inglesa, decidi fazer um desvio nostálgico na minha estante. Já comecei a ler "A Marca do Assassino", o segundo livro publicado por Daniel Silva na sua carreira!

Para quem está habituado a seguir os passos de Gabriel Allon, esta leitura traz uma grande surpresa, o protagonista aqui é Michael Osbourne, um agente da CIA, num enredo que espero que seja de cortar a respiração que envolve conspirações na Casa Blanca e um assassino implacável que deixa sempre a mesma assinatura macabra.

Estou muito curioso para ver como o autor construía os seus thrillers antes de criar a sua saga mais famosa.

Em breve partilharei aqui a minha crítica completa! Alguém por aí já leu este clássico do autor?

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas - Dale Carnegie

 


📖 Próxima Paragem: Um Clássico do Desenvolvimento Pessoal!

De momento, estou a ler o superclássico "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas", de Dale Carnegie.

Será que as lições escritas há décadas ainda funcionam no nosso mundo ultra-digital?

Fiquem atentos! Em breve voltarei aqui com a minha crítica completa e com os pontos que mais me marcaram nesta leitura.

Até lá, boas leituras! ✨

quarta-feira, 20 de maio de 2026

A Rapariga Inglesa - Daniel Silva

 


Crítica: "Uma Rapariga Inglesa" – Mais um Golpe de Mestre de Daniel Silva

Mais um grande livro de Daniel Silva e mais uma paragem obrigatória na série protagonizada por Gabriel Allon. Apesar de saber que Allon é um personagem de ficção, confesso que já me tornei um fã incondicional das suas missões.

Mas vamos ao que realmente achei deste livro em concreto.

Espionagem de Alta Prata e Ritmo Alucinante

Como os leitores do blog já sabem, para se gostar deste protagonista é obrigatório ser fã de espionagem, política internacional, ação e suspense. E, neste livro em particular, Daniel Silva enche-nos as medidas.

Tudo começa com o rapto ultra-secreto de uma jovem promessa da política britânica (que esconde um segredo bombástico). A partir daí, a história ganha uma velocidade estonteante. Entramos nas entranhas do antigo KGB, mergulhamos nos bastidores dos conflitos políticos ingleses e viajamos de Telavive a São Petersburgo sem darmos por isso. É um thriller incrível que vale mesmo a pena ler, no meu caso, foi daqueles que devorei num piscar de olhos.

O Ponto Menos Positivo (com uma exceção)

Como na minha opinião não há livros perfeitos, também tenho um reparo a fazer. Toda a parte do enredo passada na Córsega com o Don Orsati foi, para mim, o ponto mais fraco. Achei que quebrou um bocado o ritmo da narrativa global. A única grande vantagem desse arco foi podermos rever e acompanhar a dinâmica com o carismático Christopher Keller, mas não me vou alongar mais para não dar spoilers a quem ainda não leu!

Meu veredicto 

Se gostam de conspirações geopolíticas reais e de intrigas ao mais alto nível, Uma Rapariga Inglesa é uma leitura obrigatória. Prepara-te para não conseguir largar o livro!

Nota: 4.5/5 

sábado, 30 de agosto de 2025

A Bicicleta que Fugiu dos Alemães de Domingos Amaral



SINOPSE:

Nos primeiros dias de junho de 1940, a população de Paris entra em pânico, pois os exércitos de Hitler aproximam-se. De carro, de camioneta, de carroça ou a pé, mais de cinco milhões de pessoas fogem da capital francesa.

Entre a multidão apavorada encontra-se Carol, uma portuguesa estudante na Sorbonne, que deixa Paris contrariada e ao volante da sua bicicleta Hirondelle.

Sempre em fuga e receosos da Gestapo, alguns deles conseguirão vistos de entrada em Portugal, passados por Aristides Sousa Mendes e chegarão a Vilar Formoso, onde a fronteira fechou por ordem de Salazar.

Uma história de amizade, sexo, solidariedade e amor, de uma rapariga portuguesa cujos sonhos eram apenas estudar literatura, namorar e pedalar feliz pelos boulevards de Paris.


FONTE: Bertrand

O meu resumo:

A Bicicleta que Fugiu aos Alemães, de Domingos Amaral, é uma obra que nos transporta para o conturbado cenário da Europa no início da Segunda Guerra Mundial. A narrativa acompanha a fuga desesperada de milhares de refugiados que, perante o avanço das tropas nazis em França, tentam chegar a Portugal na esperança de encontrar segurança ou um barco para as Américas.

No centro da história está Carol uma jovem Portuguesa a estudar em Paris e de Rover um piloto Inglês por quem se apaixona. Os dois protagonizam momentos épicos e perigosos, tentando escapar à crueldade da ocupação alemã. 

O livro destaca não só o esforço físico e a coragem individual, mas também o papel crucial de figuras históricas como Aristides de Sousa Mendes, o cônsul português em Bordéus que desafiou as ordens de Salazar para salvar vidas.

A Minha Opinião:

Para quem procura uma leitura que combine rigor histórico com entretenimento, este livro é uma escolha excelente. Aqui estão os pontos que mais me cativaram:

  • Escrita Envolvente: O estilo de Domingos Amaral é simples e direto, o que torna a leitura fluida. É um daqueles livros que nos prende desde a primeira página e nos faz querer avançar rapidamente pelos capítulos.

  • Contextualização Histórica: O autor detalha com mestria o ambiente do início da Segunda Guerra Mundial. É fascinante (e tenso) ver como esse período coincidiu com as ditaduras de Salazar em Portugal e de Franco em Espanha, criando um tabuleiro político complexo e perigoso para os protagonistas.

  • Equilíbrio de Géneros: Não é apenas um relato histórico. O livro equilibra perfeitamente três pilares:

    1. História: Factos reais e figuras marcantes.

    2. Ação: O ritmo da fuga e o perigo constante das patrulhas.

    3. Romance: O lado humano e emocional que dá alma à narrativa.

Veredito: É uma leitura obrigatória para os apaixonados pelo tema da Segunda Guerra Mundial. Consegue educar sobre o passado de Portugal e da Europa enquanto nos mantém emocionalmente investidos na jornada das personagens.

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

O Anjo Caído - Um livro de Daniel Silva

 




A minha opinião e um pequeno resumo:

Ler O Anjo Caído é entrar mais uma vez no mundo de Gabriel Allon, restaurador de arte e, ao mesmo tempo, agente secreto israelita. O livro começa no Vaticano, num cenário quase inocente, Allon é chamado para analisar a morte de uma funcionária da Santa Sé. Mas rapidamente percebemos que nada é por acaso. O que parecia um suicídio esconde uma teia de corrupção, tráfico de antiguidades e terrorismo com ligações profundas ao Médio Oriente.

O enredo vai-se desenrolando com a marca típica de Daniel Silva, ritmo rápido, suspense constante e um equilíbrio entre o universo da arte e a brutalidade da espionagem internacional.

 Como leitor, senti-me sempre a ser puxado para diferentes cenários, de Roma a Jerusalém, passando por investigações sombrias que envolvem a própria Igreja.

Aquilo que mais me marca na forma de escrever de Daniel Silva, é a forma como consegue entrelaçar factos históricos e políticos com uma narrativa de ficção tão convincente que por vezes esquecemos onde acaba a realidade e começa a imaginação. 

Ao mesmo tempo, Allon continua a ser um protagonista fascinante, inteligente, humano, dividido entre a vida tranquila que deseja ao lado de Chiara sua mulher, e o dever que o arrasta sempre de volta ao campo de batalha.

No fim, O Anjo Caído é mais do que um thriller de espionagem. É um livro sobre poder, fé, corrupção e as cicatrizes que a história deixa nos povos e nas instituições. Para quem gosta de thrillers cheios de tensão, mas com uma forte base cultural e histórica, este é sem dúvida um daqueles livros que se devoram de uma assentada.

Para mim continua a valer a pena cada minuto a ler os livros de Daniel Silva, particularmente a saga de Gabriel Allon.

domingo, 6 de abril de 2025

Nunca [Ken Follet]

 


Sinopse de NUNCA


Ken Follett retorna ao suspense com um romance vertiginoso que imagina o inimaginável.

No Deserto do Saara, dois agentes de inteligência rastreiam um poderoso grupo terrorista, arriscando suas vidas — e, quando se apaixonam perdidamente, suas carreiras — a todo momento.

Na China, um alto funcionário do governo com grandes ambições está lutando contra os linha-dura do Partido que ameaçam levar o país a um ponto sem volta.

E nos Estados Unidos, a presidente enfrenta uma crise global e o cerco de seus implacáveis ​​oponentes políticos. Ela está disposta a fazer qualquer coisa para evitar uma guerra desnecessária.

Mas quando um ato de agressão leva a outro, e as potências mais poderosas do mundo se veem presas em uma complexa rede de alianças da qual não conseguem escapar, uma corrida frenética contra o tempo começa. Alguém pode, mesmo com as melhores intenções e as habilidades mais excepcionais, impedir o inevitável?

Nunca é um thriller extraordinário, cheio de heroínas e vilões, falsos profetas, agentes de elite, políticos desencantados e revolucionários cínicos. Follett envia um conto de advertência para os nossos tempos em uma história intensa e emocionante que leva os leitores em uma jornada.


Fonte: Casa do Livro

sábado, 26 de dezembro de 2020

Retrato de uma espia [ Daniel Silva ]


SINOPSE

Gabriel Allon, restaurador de arte e espião, está em Londres com Chiara, a mulher, para um fim de semana que se esperava agradável. Mas duas bombas, em Paris e Copenhaga, conseguiram já estragar este encantador dia de outono. Depois, quando Gabriel se prepara para deter um homem que ele suspeita estar prestes a fazer um terceiro atentado em Covent Garden, é atirado ao chão e fica a observar um verdadeiro pesadelo, sem poder fazer nada. Ainda tem bem fresca a perturbadora memória do seu fracasso em impedir um massacre de inocentes quando é chamado a Washington para um confronto com o novo rosto do terrorismo global. Ao centro de uma explosiva praga de morte e destruição está um esquivo clérigo de origem americana a viver no Iémen. E o pior ainda está para vir...




 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Anne Frank - A Biografia Vol.1/2/3 [ Melissa Müller ]

 


A Conclusão de uma Obra Fundamental

Após leitura dos 3 volumes desta magnifica obra de Melissa Müller, partilho convosco as minha analise desta biografia detalhada de Anne Frank. Se o início já me tinha impressionado pela qualidade da investigação, o percurso completo desta leitura foi uma experiência ainda mais avassaladora.

O grande trunfo de ler esta biografia até ao fim é perceber que a história de Anne Frank vai muito além das páginas do seu famoso diário. A autora faz um trabalho cirúrgico ao guiar-nos não só pelos anos em que a família esteve escondida no anexo secreto, mas também pelo "antes" e, tragicamente, pelo "depois".

Conhecer em pormenor o destino de cada uma das pessoas que partilhou aquele espaço com ela, os contornos da traição que os entregou à Gestapo e o rasto de sobrevivência (e perda) nos campos de concentração é de um realismo que nos aperta o coração. Melissa Müller não romanceia o sofrimento; ela expõe os factos com uma crueza e um respeito admiráveis.

Para quem, como eu, gosta de biografias que nos transportam verdadeiramente para dentro da História e que não escondem o lado mais sombrio da humanidade, esta coleção é de leitura obrigatória. Terminei o último volume com um nó na garganta, mas com a certeza de que esta é, sem dúvida, uma das leituras mais marcantes e completas que já passaram aqui pela Cave.

Se leram apenas o Diário, façam um favor a vós mesmos e procurem esta biografia completa. Vale cada página.

Nota Final da Biografia Completa: 5/5 ⭐️