sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Resenha / Diário de Leitura: "O Presidente Desapareceu" – James Patterson & Bill Clinton

Antes de mais nada, cabe-me dizer que esta foi uma estreia absoluta para mim no que toca a ler James Patterson. Resolvi fazer um resumo em estilo de diário de leitura, onde fui acrescentando as minhas opiniões e sensações ao longo da história, sem nunca dar spoilers!

A Evolução da Leitura (Capítulo a Capítulo)

  • Capítulos 1 a 7: O ritmo ainda não está alucinante, mas percebe-se logo que virá a ser, muito pelas repentinas guinadas que o autor dá a cada mudança de capítulo.

  • A reflexão das redes e da informação: Surgiu-me logo uma grande reflexão sobre como somos influenciados pela nova moda do ciclo de notícias de 24 horas. A "espuma dos dias" sobrepõe-se aos assuntos verdadeiramente importantes para a população. "Estamos a utilizar as novas tecnologias para regredir até aos primórdios das relações humanas" uma dura e atualíssima crítica a como as redes sociais toldam o nosso raciocínio nos dias de hoje.

  • O detalhe realista: Só um livro com a participação de um ex-presidente dos EUA (neste caso, Bill Clinton) nos pode dar de forma tão detalhada a vida do líder de uma superpotência. Num momento está a falar com assessores; dez minutos depois, a telefonar à mãe de um soldado que acaba de falecer em missão; e logo a seguir é chamado de urgência à Sala de Situação. Já li alguns livros relacionados com presidentes americanos, mas com este nível de detalhe... nunca! Conhecemos a fundo o que sente este homem que, além de Presidente, é também um ser humano com sentimentos, frustrações e vulnerabilidades.

  • Capítulo 11 (O ponto de viragem): Além de ser incrível por demonstrar o peso e a responsabilidade gigante nas mãos de um Presidente ao decidir se um míssil faz ou não explodir determinado alvo e quem morre com essa decisão, foi exatamente aqui que me comecei a sentir verdadeiramente preso ao livro.

  • Capítulo 34: A construção da narrativa faz-se em forma de relato na primeira pessoa por parte do Presidente Jonathan Duncan, com vários diálogos pelo meio. É uma fase de muita ação, com capítulos super curtos que não nos deixam parar de ler.

  • Capítulo 53: A única pergunta que me surge é: (sem spoilers) estaremos nós mesmo sujeitos a que algo assim aconteça? O livro dá especial importância ao bom entendimento que deve existir entre os membros da NATO. Curiosamente (ou eroticamente... leia-se ironicamente), foi publicado em 2018, precisamente durante o primeiro mandato de Donald Trump. Ironia ou puro sarcasmo de Patterson e Clinton?

  • Capítulo 75: Faz-nos pensar em quão vulneráveis e dependentes somos hoje em dia de uma "coisinha" chamada internet. Demonstra que se pode causar uma catástrofe muito maior sem o trabalho de atirar dois aviões contra as Torres Gémeas em Nova Iorque. Mas também nos faz perguntar: estamos hoje a fazer algo para evitar uma tragédia destas, ou, tal como no 11 de Setembro, terá primeiro de acontecer para agirmos?

  • Capítulo 90: A incerteza continua a cada página virada! Irá Jonathan Duncan conseguir forças para salvar os EUA? Existirá um traidor dentro do seu núcleo duro? Mesmo que vos quisesse dar um spoiler (coisa que não quero!), não o poderia fazer: no capítulo 90 a emoção está ao rubro e tudo pode acontecer!

As Minhas Conclusões Finais

Finalizada a leitura, estou perante uma grandíssima história. Já tinha lido e escutado que James Patterson tem uma escrita que nos cola verdadeiramente ao livro, e confirma-se a 100%! Principalmente no último terço, o ritmo é alucinante, com o Presidente Duncan numa constante corrida contra o relógio para salvar a nação. Confesso que na parte final cheguei a sentir alguma ansiedade, tal era o frenesim!

Este livro obriga-nos a fazer um sem-número de reflexões:

  1. A nossa dependência tecnológica: O quão perigosa é a dependência da internet, embora devamos a ela o avanço da sociedade em que vivemos.

  2. A geopolítica atual: A forma como o mundo se divide (e sempre dividirá) entre o "lado bom" e o "lado mau" na perspetiva de cada um. E a importância crucial de alianças fortes e saudáveis na NATO algo que, nos dias em que escrevo esta resenha, nos deixa tantas dúvidas e receios, quer pela atual administração americana quer pelo rumo político na Europa. Como seria bom ter hoje líderes, tanto nos EUA como na Europa, capazes de fazer o discurso que Duncan faz no final deste livro! Mas a verdade é que o livro também nos alerta para a forma como a política está cada vez mais podre.

Notas rápidas sobre algumas personagens (sem levantar o véu):

  • Bach: Uma maravilhosa e bela assassina que, depois de entendermos a sua história e o seu propósito de vida, acabo eu próprio a torcer para que tudo lhe corra bem!

  • Nina e Augie: A prova viva de que nunca é tarde para tentar fazer o bem, por muito mal que já se tenha feito no passado.

Para o meu gosto pessoal, sinto apenas falta das viagens pelo mundo que tanto me fascinam nos livros de espionagem. De Paris a Moscovo, de Lisboa a Nova Iorque, adoro viajar dentro de um livro! Este não tem isso, é verdade; mas viver por dentro a mente de um Presidente dos EUA contada na primeira pessoa durante uma emergência de tamanha gravidade tem a sua própria espetacularidade.

Nota final: 4,1 / 5





A Ler: De Regresso a Daniel Silva com "O Assassino Inglês"

Depois de uma passagem pelas páginas de James Peterson, é hora de voltar a um porto seguro e regressar ao universo de Daniel Silva! Desta vez, peguei em "O Assassino Inglês", o segundo livro da famosa Saga Gabriel Allon.

Como costumo fazer com esta série, tenho lido os livros de forma solta e desordenada. Para quem também navega pela saga assim, saiba que é perfeitamente possível e tranquilo, o Daniel Silva constrói cada obra com a sua própria história, enredo e resolução independente, permitindo apreciar a leitura sem nos sentirmos perdidos.

Estou muito curioso para ver como se desenrola esta missão e acompanhar mais um capítulo do nosso restaurador de arte e espião favorito.

Como já é hábito aqui na Cave Secreta, deixarei por cá a minha resenha e opinião detalhada assim que fechar a última página!

Alguém por aí também costuma ler a saga do Gabriel Allon fora de ordem, ou preferem seguir a cronologia certinha? Boas leituras!




sexta-feira, 21 de agosto de 2026

As Três Vidas, de João Tordo: Um Jogo Psicológico Perturbador e Inquietante

 


Ao fim da primeira meia dúzia de capítulos não consegui saber bem o porquê, mas entendi logo que a escrita de João Tordo é diferente. Muito diferente. É fácil de ler, mas não tão fácil de compreender; sentimos um mistério escondido a cada parágrafo.

Importante referir que sou iniciante neste autor e seis capítulos não chegam para retirar conclusões profundas, por isso decidi ir registando a minha opinião conforme a leitura ia avançando.

O Diário de Uma Leitura Inquietante

A maneira como o autor constrói a narrativa deste livro é muitíssimo interessante: é como se fosse um diário que o narrador conta na primeira pessoa. Há duas coisas nesta história que nos deixam inquietos desde muito cedo: uma é o nome do próprio narrador e a outra é o verdadeiro negócio de Millhouse Pascal. E mais não vos vou adiantar!

  • Página 130: O livro está cada vez mais inquietante. Num momento parece que tudo começa a fazer sentido e, logo a seguir, tudo se baralha outra vez. Jogo psicológico é a expressão que me ocorre dizer nesta fase da leitura, vinda de um autor que me parece muitíssimo sofisticado.

  • Página 164: Neste momento ainda não consegui entender se todo o relato do narrador aconteceu mesmo na sua vida ou se tudo não passa de um sonho (ou pesadelo).

De Portugal a Nova Iorque

Fazemos aqui uma viagem pelo Portugal profundo do final da década de 70 e início da década de 80. O autor faz uma descrição dos cenários sem exageros, mas suficiente para nos sentirmos completamente dentro da história. É o retrato de um Portugal recém-saído de uma ditadura, onde ainda era possível viver de maneira anónima, como se vivia na Quinta do Tempo.

De repente, e quase sem darmos por isso, embarcamos numa viagem a Nova Iorque. Uma América do início dos anos 80 tão diferente do que é hoje, mas também tão distante do Portugal da época. Em determinado momento retive uma frase que exemplifica bem esse choque cultural: “Passou uma rapariga com uns walkie talkies, nunca tinha visto nada assim”.

Quando o livro deixa de estar focado apenas no narrador a contar a sua própria história e passa para o próprio Millhouse Pascal a narrar a sua vida, todas as peças começam finalmente a encaixar e tudo ganha outro sentido.

A Condição Humana e a Saúde Mental

Chegado ao final da extensa primeira parte do livro, João Tordo faz-nos pensar sobre a nossa própria humanidade:

  • Quem nunca esteve perante a indecisão de tomar uma decisão?

  • Quem nunca teve a vontade de deixar tudo para trás?

  • Quem nunca se sentiu perdido e sem saber o que fazer?

  • Quem nunca tentou enganar-se a si próprio, arranjando uma qualquer desculpa esfarrapada?

Devorei a segunda parte — bem mais curta que a primeira — de forma rápida. Ao contrário da primeira (onde encontramos traços da nossa condição humana e coisas que nos podem acontecer no dia a dia), nesta segunda parte deparamo-nos com um ser que passa por profundas mazelas mentais. Algo que, felizmente, não acontece à maioria de nós… espero eu!

Na terceira e quarta parte continuamos no mesmo ritmo. O nosso narrador segue na busca de si próprio e de um rumo para a sua vida.

As Minhas Considerações Finais

Embora seja uma obra de ficção, fica sempre a ideia no ar de que há algo de verídico neste relato — como se fosse algo contado por alguém que se cruzou na vida real do autor. Mas, suposições à parte, este livro é a prova de quão marcantes (positiva ou negativamente) podem ser as pessoas e as experiências que cruzamos em determinado momento do nosso caminho.

Numa altura em que se fala tanto de saúde mental, João Tordo explora muitíssimo bem esse tema, mantendo um jogo psicológico do princípio ao fim. Como leitor, fui obrigado a procurar sempre algo de real e muito de mim mesmo nestas páginas. Já diz o ditado que "de poeta e de louco, todos temos um pouco" — acho que, no fundo, todos somos um pouco como o narrador desta história, em busca do nosso próprio caminho.

Recomendação: Gostei bastante do livro! Aconselho vivamente a quem lê com muita regularidade. Para quem lê apenas um ou dois livros por ano, na minha opinião, talvez não seja o livro ideal.

Nota: 3.8 / 5 ⭐️

Próxima Leitura: O que acontece quando o Presidente dos EUA desaparece?


Depois das últimas incursões pelo mundo do suspense e da espionagem, acabei de pegar num livro que promete uma dose de adrenalina geopolítica pura: "O Presidente", escrito a quatro mãos pelo ex-presidente Bill Clinton e pelo mestre dos thrillers James Patterson!

A premissa não podia ser mais intrigante: um ataque cibernético ameaça colocar os Estados Unidos de joelhos e, no meio de conspirações e de um possível traidor dentro do seu próprio gabinete, o Presidente decide simplesmente desaparecer para tentar resolver a crise na sombra.

Estou muito curioso para ver como se junta a experiência real de quem habitou a Casa Branca com a escrita rápida e viciante de Patterson, embora para mim seja uma estreia com este autor. A contagem decrescente de três dias já começou nas minhas páginas!

Em breve trago a recensão completa aqui para a Cave Secreta. Alguém por aí já leu este thriller? O que acharam desta dupla de autores?

Até lá, boas leituras!


 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A Marca do Assassino - Daniel Silva

 



A Marca do Assassino, de Daniel Silva | Opinião & Impressões

Estava curioso para perceber se o tipo de escrita de Daniel Silva se mantinha tal e qual como o conheço da saga protagonizada por Gabriel Allon, ou se existiria alguma diferença neste início de carreira. A verdade é que, nos primeiros capítulos, nota-se uma ligeira nuance, mas a essência e a maestria do autor já lá estavam desde o primeiro momento.

O início do livro foca-se mais na trama política do que na espionagem pura, descrevendo com precisão o poder avassalador da indústria do armamento na política e a forma como a comunicação social é manipulada e influenciada.

Da Ação Frenética à Origem de Gabriel Allon

Chegados ao capítulo 12, a história desperta verdadeiramente a atenção de quem procura ação. E que bela mansão numa das ilhas das Caraíbas! Para quem sabe o que está a ler, o surgimento de Ari Shamron deixa-nos surpresos e inquietos. Além disso, deparamo-nos com um assassino refinado que também é pintor… onde é que eu já vi isto? 😀

A partir do capítulo 13, a ação torna-se frenética. Conhecer melhor a figura de Delaroche é incrível, e Astrid encaixa perfeitamente no perfil de um assassino de elite. De repente, vemo-nos numa viagem vertiginosa de Washington a Londres, passando por França e pelos Países Baixos. É também fascinante perceber como personagens como Graham já habitavam a mente de Daniel Silva antes do nascimento da saga Allon.

Uma Viagem Guiada com Nível de Detalhe Soberbo

O nível de detalhe com que o autor descreve cada cena, cada rua e cada personagem é, por vezes, quase exagerado — mas de uma forma brilhante. Transporta-nos para dentro do livro como se fôssemos parte integrante dele. Ler Daniel Silva é, genuinamente, fazer uma viagem pelo mundo.

Se, tal como eu, nunca visitaram o Egito, num dos capítulos deste livro serão brindados com uma autêntica visita guiada ao Cairo. O detalhe é tão impressionante que, no meu caso, consegui quase sentir os cheiros da cidade. Soberbo!

Michael Osborne vs. Gabriel Allon

Para os fãs de Daniel Silva e amantes de Gabriel Allon, é impossível não tentar identificar semelhanças com o protagonista Michael Osborne. No entanto, na minha opinião, as diferenças superam as semelhanças! Não vou adiantar mais para não dar spoilers — vocês dir-me-ão o que acham quando o lerem.

Visionário ou Retrato do Mundo Real?

Apesar de já terem passado mais de 20 anos desde que Daniel Silva escreveu esta obra, não posso deixar de sublinhar que esta história se podia perfeitamente passar hoje. O nível de influência que os "senhores do dinheiro" exercem na política (neste caso, na americana) é impressionantemente detalhado. Fiquei a pensar se toda esta teia não faz lembrar a influência que figuras como Elon Musk ganharam na política atual… Só que este livro foi escrito há mais de duas décadas. Visionário, ou será que simplesmente nada mudou desde então?

Veredicto Final

O livro é frenético, não pára de nos dar emoção e reserva uma nova surpresa a cada capítulo. Como não podia deixar de ser, é uma grande obra — ou não fosse do grande Daniel Silva. Para quem acompanha a sua carreira, é impressionante notar a evolução que o autor teve ao longo do tempo até chegar ao topo com a série Allon. 

Quero muito ler o segundo livre desta saga "A Marcha".

Nota: 4 / 5

As Três Vidas - João Tordo

 


Nova Leitura na Cave: As Três Vidas, de João Tordo

Hora de abrir portas a novos horizontes por cá! Hoje dou início a uma leitura muito especial: "As Três Vidas", de João Tordo.

É a primeira vez que leio este autor, um passo que já devia ter dado há mais tempo, impulsionado pela vontade de explorar e descobrir mais vozes da literatura portuguesa contemporânea. Depois de tantas recomendações entusiasmadas de amigos, que garantem ser uma história envolvente e impossível de largar, a curiosidade venceu e não resisti a trazê-lo para a estante.

A premissa sobre segredos de família, obsessão e o passado misterioso em torno do funambulismo já me fisgou logo nas primeiras páginas.

Vamos ver que mistérios e reviravoltas nos reserva esta viagem! Alguém por aí já o leu? Que impressões guardam da escrita do João Tordo?

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Crítica: "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas" de Dale Carnegie – Um Clássico ou um Livro Desatualizado?

 



Acabo de fechar a última página de um dos livros mais famosos do mundo: "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas", de Dale Carnegie. Hoje trago-vos uma opinião muito honesta, pesando aquilo que retirei de bom e os aspetos que me deixaram de pé atrás.

Para abrir o apetite, deixo-vos primeiro com o "esqueleto" das ideias que o autor defende ao longo da obra:

🔍Os Princípios do Livro (Em Resumo)

  • Técnicas fundamentais para lidar com pessoas: Não critique, não condene, não se queixe; Mostre um apreço honesto e sincero; Desperte na outra pessoa uma necessidade premente.

  • Seis maneiras de fazer com que gostem de si: Interesse-se genuinamente; Sorria; Lembre-se de que o nome de uma pessoa é o som mais doce para ela; Seja um bom ouvinte; Fale em função dos interesses do outro; Faça o outro sentir-se importante.

  • Conquistar pessoas para a sua forma de pensar: Evite discussões; Respeite as opiniões (nunca diga "está errado"); Admita os seus erros rapidamente; Comece de forma amigável; Consiga o "sim" imediato; Deixe o outro falar; Faça o outro sentir que a ideia é dele; Veja o ponto de vista alheio; Apele aos motivos nobres e dramatize as ideias.

  • Seja um líder (Mudar os outros sem ofender): Comece com elogios; Chame a atenção para os erros indiretamente; Fale dos seus erros antes de criticar; Faça perguntas em vez de ordens; Deixe o outro salvar a face; Elogie o mais ínfimo progresso; Crie uma reputação que o outro queira respeitar; Faça os erros parecerem fáceis de corrigir.

👍 O que Gostei (Os Pontos Positivos)

O livro tem uma escrita muito fácil de entender e compreender. Chega a um ponto em que parece que estamos sentados com o autor numa esplanada a ter uma conversa informal. Está muito bem estruturado por capítulos e ideias principais, o que faz com que a leitura flua e seja apetecível no início.

O grande mérito da obra é fazer-nos pensar nas nossas atitudes diárias, seja na vida pessoal ou profissional. Quem ler este livro vai, certamente, identificar pontos que pode melhorar para evoluir as suas relações.

Destaco quatro grandes lições que levo para a vida:

  1. "Não critique, não condene, não se queixe": É uma excelente premissa. Hoje em dia criticamos muito os outros sem olharmos ao espelho e passamos demasiado tempo a lamentar-nos em vez de valorizar o que temos.

  2. "Sorria": Faz-nos muita falta utilizar mais esta regra. O mundo seria muito melhor se todos sorríssemos genuinamente mais.

  3. "Ser um bom ouvinte": Esta vou aplicar desde já. O ditado popular já diz tudo: "ouvidos mais abertos e boca mais fechada", ou "em boca fechada não entra mosca".

  4. A maior aprendizagem do livro (Início da Parte 3): "A única maneira de vencer numa discussão, é evitá-la". Aconselho todos a lerem este capítulo mais do que uma vez. É uma lição de ouro para o lado pessoal e profissional.

👎 O que Não Gostei (Os Contra-sensos e a Desatualização)

Apesar dos bons conselhos, a verdade é que, na minha opinião, este livro foi escrito numa época em que o acesso à informação era muito mais reduzido. Nos dias de hoje, encontra-se bastante desajustado à realidade. Devo confessar que, mais ou menos a meio do livro, pensei em desistir. Só não o fiz por teimosia, para poder fazer uma apreciação justa do meu ponto de vista.

Para mim, o livro falha em alguns aspetos cruciais:

  • O "Preto no Branco" do autor: Carnegie reduz frequentemente as coisas ao extremo: ou fazemos tal e qual como está no livro e somos bem-sucedidos, ou não fazemos e somos uns fracassados. Chega a escrever: “Então é porque as nossas almas não são maiores que uma amêndoa amarga, e não tardaremos a descobrir o fracasso que tanto merecemos”. Obviamente não é assim; existem muitas outras maneiras de alcançar o sucesso e fazer amigos.

  • Falta de genuinidade: No segundo capítulo da Parte 3, o autor ensina-nos uma estratégia que evita discussões, mas obriga-nos a não ser corretos nem genuínos: "Nunca diga que alguém está errado, mesmo que tenha a certeza que essa pessoa está errada".

  • Estratégias manipuladoras e o Burnout: O último princípio da terceira parte ("Lance o desafio") mostra o quanto o livro envelheceu mal. Esta é das técnicas mais manipuladoras que podem existir numa empresa. Muitos chefes e patrões usam a técnica da comparação entre colaboradores para os fazer produzir mais. Na altura em que o livro foi escrito não se falava em burnout, esse flagelo da sociedade moderna. Usar isto hoje é altamente reprovável.

  • Falta de fôlego e repetição: A partir de metade da Parte 3, o livro perde os argumentos e foca-se apenas em que devemos ser compreensíveis. A cada capítulo torna-se mais e mais repetitivo. A três capítulos do fim, estava completamente sem vontade de continuar.

💬 O meu sincero veredicto Final

Para se atingirem os objetivos deste livro, é necessário querer muito mudar, porque, ao fim ao cabo, o que ele propõe é que moldemos a nossa maneira de ser e a nossa própria personalidade, e isso é extremamente complicado. Nos dias de hoje, muito dificilmente conseguimos seguir estas técnicas à risca.

Este livro muito provavelmente permanecerá no topo dos livros que menos gostei durante muito tempo. No entanto, não dou o tempo totalmente como perdido, porque ajudou-me a refletir sobre atitudes minhas que não ajudam nas relações.

Agora que terminei, no fundo, ainda bem que o li. Mas se soubesse o que sei hoje... não o compraria nem o começaria a ler.

E por aí, alguém já leu este clássico? Qual é a vossa opinião?

Vemo-nos em outras leituras...

Nota: 2.5 / 5 ⭐️

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Próxima Leitura: Uma Viagem ao Passado de Daniel Silva!

 

Depois de fechar a última página de Uma Rapariga Inglesa, decidi fazer um desvio nostálgico na minha estante. Já comecei a ler "A Marca do Assassino", o segundo livro publicado por Daniel Silva na sua carreira!

Para quem está habituado a seguir os passos de Gabriel Allon, esta leitura traz uma grande surpresa, o protagonista aqui é Michael Osbourne, um agente da CIA, num enredo que espero que seja de cortar a respiração que envolve conspirações na Casa Blanca e um assassino implacável que deixa sempre a mesma assinatura macabra.

Estou muito curioso para ver como o autor construía os seus thrillers antes de criar a sua saga mais famosa.

Em breve partilharei aqui a minha crítica completa! Alguém por aí já leu este clássico do autor?

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas - Dale Carnegie

 


📖 Próxima Paragem: Um Clássico do Desenvolvimento Pessoal!

De momento, estou a ler o superclássico "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas", de Dale Carnegie.

Será que as lições escritas há décadas ainda funcionam no nosso mundo ultra-digital?

Fiquem atentos! Em breve voltarei aqui com a minha crítica completa e com os pontos que mais me marcaram nesta leitura.

Até lá, boas leituras! ✨

quarta-feira, 20 de maio de 2026

A Rapariga Inglesa - Daniel Silva

 


Crítica: "Uma Rapariga Inglesa" – Mais um Golpe de Mestre de Daniel Silva

Mais um grande livro de Daniel Silva e mais uma paragem obrigatória na série protagonizada por Gabriel Allon. Apesar de saber que Allon é um personagem de ficção, confesso que já me tornei um fã incondicional das suas missões.

Mas vamos ao que realmente achei deste livro em concreto.

Espionagem de Alta Prata e Ritmo Alucinante

Como os leitores do blog já sabem, para se gostar deste protagonista é obrigatório ser fã de espionagem, política internacional, ação e suspense. E, neste livro em particular, Daniel Silva enche-nos as medidas.

Tudo começa com o rapto ultra-secreto de uma jovem promessa da política britânica (que esconde um segredo bombástico). A partir daí, a história ganha uma velocidade estonteante. Entramos nas entranhas do antigo KGB, mergulhamos nos bastidores dos conflitos políticos ingleses e viajamos de Telavive a São Petersburgo sem darmos por isso. É um thriller incrível que vale mesmo a pena ler, no meu caso, foi daqueles que devorei num piscar de olhos.

O Ponto Menos Positivo (com uma exceção)

Como na minha opinião não há livros perfeitos, também tenho um reparo a fazer. Toda a parte do enredo passada na Córsega com o Don Orsati foi, para mim, o ponto mais fraco. Achei que quebrou um bocado o ritmo da narrativa global. A única grande vantagem desse arco foi podermos rever e acompanhar a dinâmica com o carismático Christopher Keller, mas não me vou alongar mais para não dar spoilers a quem ainda não leu!

Meu veredicto 

Se gostam de conspirações geopolíticas reais e de intrigas ao mais alto nível, Uma Rapariga Inglesa é uma leitura obrigatória. Prepara-te para não conseguir largar o livro!

Nota: 4.5/5