Sabe bem, depois de um breve passeio por outros autores, voltar a Daniel Silva e ao protagonista Gabriel Allon.
Desta feita, mergulhamos de cabeça no segundo livro desta saga e, para quem, como eu, já leu vários livros bastante mais à frente na história, é muito interessante perceber como tudo começa e como nem sempre as coisas foram como as conhecemos nos livros mais recentes.
Estou curioso para perceber como está a recuperar Gabriel da perda da família em Viena e de ter matado o assassino da mulher e do filho.
Neste livro começamos pelo Prólogo, que nos leva a uma passagem ocorrida anos antes, na Suíça. Ao fim destas três ou quatro páginas, dei por mim a dizer: “Uau! O que vem por aí?”
Nos livros de Daniel Silva, os capítulos não são supercurtos, nem tão pouco excessivamente longos e pesados. Temos normalmente sete ou oito páginas, o que nos permite saborear bem aquilo que o autor nos está a servir.
Primeiro capítulo terminado e lá vamos nós, em viagens e emoção sem fim. Meia dúzia de páginas depois, já estamos dentro de um comboio a viajar de Londres para Zurique. Rapidamente, para quem já conhece o autor, damo-nos conta de que a voz de Daniel Silva está lá.
Sétimo capítulo. Ainda estamos muito no início deste livro, mas, para mim, que dos seis livros da saga Gabriel Allon que li até ao momento, está a ser muito interessante perceber que a relação de Gabriel com o seu tutor, Ari, é muito diferente nesta fase da saga, comparativamente com aquilo que conhecia até agora.
Terão os suíços outros interesses além de guardar o dinheiro do mundo? É uma pergunta que me surge neste momento.
No que respeita a esta saga, gosto sempre de fazer o exercício de comparar o ano de lançamento do livro, neste caso, 2002, com aquilo que se passava na geopolítica naquele momento.
Fim da primeira parte, com 12 capítulos que nos oferecem viagens desde Londres a Zurique, de Vitória até à Córsega e uma surpreendente e agradável passagem por Portugal. Sim, isso mesmo: pela Costa de Prata portuguesa, onde vive Anna Rofe.
Ainda é cedo para tirar conclusões, mas, pela forma como o autor a descreve e pelos deliciosos diálogos entre ela e Gabriel, tudo leva a crer que será uma personagem por quem será fácil apaixonar-me.
Escolher ler O Assassino Inglês a seguir a A Rapariga Inglesa foi um total acaso, mas dou-me agora conta de que foi, por sorte, uma escolha acertada.
Para quem já leu A Rapariga Inglesa, certamente se lembra das passagens pela Córsega, de Don Orsati, da velha Signora feiticeira ou até mesmo do teimoso bode que insistia em barrar o caminho a Gabriel.
Pois bem, neste livro tudo faz sentido. É como se tivéssemos aqui o enquadramento daquilo que já lemos. Delicioso.
Capitulo 10, depois de alguns reveses a que não estamos habituados com Gabriel, principalmente quem começou a ler livros mais avançados na história, deparamo-nos com mais um encontro entre Gabriel e Julian.
Através de um relato feito pelo mítico negociante de arte, ficamos a conhecer, em detalhe, o maior roubo de arte da história mundial, levado a cabo pelo regime nazi durante a ocupação francesa.
Sim, Hitler não se limitou a dizimar judeus nos campos de concentração. O regime nazi também roubou e, em alguns casos, destruiu obras de arte de grandes mestres da pintura.
Neste livro, de momento, ninguém está a salvo, principalmente enquanto existir um Assassino Inglês à solta.
Estou no capítulo 28 e, entretanto, voltamos a Portugal, desta feita a Lisboa.
Que gosto me está a dar poder viajar por Portugal através das histórias de Gabriel Allon!
No entanto, não posso deixar de referir, e ainda estou a meio do livro, portanto talvez ainda venha a ser surpreendido, que o rigor descritivo de Daniel Silva relativamente aos locais por onde a história passa não me parece ser o mesmo quando estamos em Portugal.
Nota-se que o autor domina muito mais cidades como Viena, Paris ou Londres, e até mesmo a própria Córsega, do que Lisboa e Portugal. O detalhe aqui é, na minha opinião, bastante inferior.
Entretanto, de volta a Zurique, dá-se até ao momento a maior cena de ação, com Anna Rofe a mostrar porque é que, desde o início do livro, é tão fácil apaixonarmo-nos por ela.
Até quando estará Gabriel um passo atrás?
E o que isso lhe poderá custar?
Terceira parte, Capitulo 37, para quem segue as minhas resenhas sobre livros, saberá que, quando li A Rapariga Inglesa, disse que a parte da Córsega e de Don Orsati, para mim, estava a mais naquele livro.
Pois bem, lendo agora este livro, que se passa muitos anos antes do outro, tenho de retirar tudo o que disse sobre esse detalhe, porque, na verdade, faz todo o sentido Don Orsati e a Córsega na vida de Gabriel.
Continuemos.
A dupla Gabriel e Anna está cada vez mais interessante. Poderão eles escapar ao tenebroso Christopher?
É impossível não sofrer com o spoiler que, pelo menos Gabriel, sim, irá sobreviver. Mas e Anna? Sairá viva desta história?
Ou será apenas mais uma mulher por quem Gabriel se apaixona e que acaba morta?
Estamos neste momento em Veneza e tudo pode acontecer.
Fim do capítulo 40 e continuamos na bela Veneza. Já se deu o desfecho dos acontecimentos do recital de Anna Rofe.
Não vou fazer nenhum spoiler, mas estou certo de que o desfecho vos vai surpreender, tal como me surpreendeu a mim.
Já sabíamos que Gabriel Allon escaparia à mira do Assassino Inglês, mas tudo está em aberto quanto à violinista suíça.
Uma coisa é certa: quanto mais capítulos leio deste livro, mais entendo partes de livros posteriores, principalmente A Rapariga Inglesa.
Se, tal como eu, já leram esse livro e ainda não leram O Assassino Inglês, não percam tempo.
Final da terceira parte e início da quarta e última:
A terceira parte acaba de forma frenética. A expressão “a sorte protege os audazes” nunca fez tanto sentido neste livro em geral e nestes capítulos em particular, tendo em conta o que aconteceu a Gabriel.
Chegamos a temer pela vida de Allon, e a atitude de Petersson, o chefe das polícias suíças, não é normal. Ainda por cima, sabendo que poderia estar a pôr a própria vida em risco, é necessário um homem estar muito mal com a sua consciência para fazer o que ele faz.
A quarta parte começa três meses depois, já com Gabriel a lamber as feridas no seu refúgio da Cornualha.
E, como é normal nestes livros, não sai muito dali. Acaba com as reflexões de vida de Gabriel e deixa algumas coisas em aberto para o próximo livro.
Anna Rofe volta a aparecer mesmo no final, ficando em aberto se aparecerá mais vezes em histórias futuras.
Sobre o livro:
Sobre o livro em geral e, para terminar, como sempre, vale muito a pena.
É verdade que, na minha opinião, não é o melhor livro da saga, mas isso poderá acontecer porque é apenas o segundo livro ou talvez porque, como tenho lido a saga de forma desordenada, já li livros mais adiantados na linha temporal, o que poderá retirar algum brilhantismo a estes livros mais antigos.
Para os que perguntam porque leio os livros desordenadamente sendo eu fã desta saga, a resposta é simples.
Descobri Daniel Silva por acaso. Li o primeiro livro sem saber que se tratava de uma saga e fui lendo outros por sugestão de amigos. Quando dei por mim, já tinha lido três ou quatro e estava completamente fã.
Entretanto, adquiri toda a coleção e agora estou a lê-la por ordem.
E talvez seja precisamente por isso que tem sido tão interessante voltar atrás e descobrir as origens de personagens, relações e acontecimentos que já conheço de livros posteriores.
Nota: 4,1 / 5



