sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Resenha / Diário de Leitura: "O Presidente Desapareceu" – James Patterson & Bill Clinton

Antes de mais nada, cabe-me dizer que esta foi uma estreia absoluta para mim no que toca a ler James Patterson. Resolvi fazer um resumo em estilo de diário de leitura, onde fui acrescentando as minhas opiniões e sensações ao longo da história, sem nunca dar spoilers!

A Evolução da Leitura (Capítulo a Capítulo)

  • Capítulos 1 a 7: O ritmo ainda não está alucinante, mas percebe-se logo que virá a ser, muito pelas repentinas guinadas que o autor dá a cada mudança de capítulo.

  • A reflexão das redes e da informação: Surgiu-me logo uma grande reflexão sobre como somos influenciados pela nova moda do ciclo de notícias de 24 horas. A "espuma dos dias" sobrepõe-se aos assuntos verdadeiramente importantes para a população. "Estamos a utilizar as novas tecnologias para regredir até aos primórdios das relações humanas" uma dura e atualíssima crítica a como as redes sociais toldam o nosso raciocínio nos dias de hoje.

  • O detalhe realista: Só um livro com a participação de um ex-presidente dos EUA (neste caso, Bill Clinton) nos pode dar de forma tão detalhada a vida do líder de uma superpotência. Num momento está a falar com assessores; dez minutos depois, a telefonar à mãe de um soldado que acaba de falecer em missão; e logo a seguir é chamado de urgência à Sala de Situação. Já li alguns livros relacionados com presidentes americanos, mas com este nível de detalhe... nunca! Conhecemos a fundo o que sente este homem que, além de Presidente, é também um ser humano com sentimentos, frustrações e vulnerabilidades.

  • Capítulo 11 (O ponto de viragem): Além de ser incrível por demonstrar o peso e a responsabilidade gigante nas mãos de um Presidente ao decidir se um míssil faz ou não explodir determinado alvo e quem morre com essa decisão, foi exatamente aqui que me comecei a sentir verdadeiramente preso ao livro.

  • Capítulo 34: A construção da narrativa faz-se em forma de relato na primeira pessoa por parte do Presidente Jonathan Duncan, com vários diálogos pelo meio. É uma fase de muita ação, com capítulos super curtos que não nos deixam parar de ler.

  • Capítulo 53: A única pergunta que me surge é: (sem spoilers) estaremos nós mesmo sujeitos a que algo assim aconteça? O livro dá especial importância ao bom entendimento que deve existir entre os membros da NATO. Curiosamente ou eroticamente, foi publicado em 2018, precisamente durante o primeiro mandato de Donald Trump. Ironia ou puro sarcasmo de Patterson e Clinton?

  • Capítulo 75: Faz-nos pensar em quão vulneráveis e dependentes somos hoje em dia de uma "coisinha" chamada internet. Demonstra que se pode causar uma catástrofe muito maior sem o trabalho de atirar dois aviões contra as Torres Gémeas em Nova Iorque. Mas também nos faz perguntar: estamos hoje a fazer algo para evitar uma tragédia destas, ou, tal como no 11 de Setembro, terá primeiro de acontecer para agirmos?

  • Capítulo 90: A incerteza continua a cada página virada! Irá Jonathan Duncan conseguir forças para salvar os EUA? Existirá um traidor dentro do seu núcleo duro? Mesmo que vos quisesse dar um spoiler (coisa que não quero!), não o poderia fazer, no capítulo 90 a emoção está ao rubro e tudo pode acontecer!

As Minhas Conclusões Finais

Finalizada a leitura, estou perante uma grandíssima história. Já tinha lido e escutado que James Patterson tem uma escrita que nos cola verdadeiramente ao livro, e confirma-se a 100%! Principalmente no último terço, o ritmo é alucinante, com o Presidente Duncan numa constante corrida contra o relógio para salvar a nação. Confesso que na parte final cheguei a sentir alguma ansiedade, tal era o frenesim!

Este livro obriga-nos a fazer um sem-número de reflexões:

  1. A nossa dependência tecnológica: O quão perigosa é a dependência da internet, embora devamos a ela o avanço da sociedade em que vivemos.

  2. A geopolítica atual: A forma como o mundo se divide (e sempre dividirá) entre o "lado bom" e o "lado mau" na perspetiva de cada um. E a importância crucial de alianças fortes e saudáveis na NATO algo que, nos dias em que escrevo esta resenha, nos deixa tantas dúvidas e receios, quer pela atual administração americana quer pelo rumo político na Europa. Como seria bom ter hoje líderes, tanto nos EUA como na Europa, capazes de fazer o discurso que Duncan faz no final deste livro! Mas a verdade é que o livro também nos alerta para a forma como a política está cada vez mais podre.

Notas rápidas sobre algumas personagens (sem levantar o véu):

  • Bach: Uma maravilhosa e bela assassina que, depois de entendermos a sua história e o seu propósito de vida, acabo eu próprio a torcer para que tudo lhe corra bem!

  • Nina e Augie: A prova de que nunca é tarde para tentar fazer o bem, por muito mal que já se tenha feito no passado.

Para o meu gosto pessoal, sinto apenas falta das viagens pelo mundo que tanto me fascinam nos livros de espionagem. De Paris a Moscovo, de Lisboa a Nova Iorque, adoro viajar dentro de um livro! Este não tem isso, é verdade; mas viver por dentro a mente de um Presidente dos EUA contada na primeira pessoa durante uma emergência de tamanha gravidade tem a sua própria espetacularidade.

Nota final: 4,1 / 5





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